Repórter detalha conflitos no conglomerado Afeganistão-Paquistão em romance

"Acho uma das formas mais puras de jornalismo". Essa é a opinião do repórter Igor Gielow sobre a cobertura de conflitos. Especializado em jornalismo internacional, ele viu de perto a guerra em países como Líbano, Israel, Paquistão e Afeganistão.

Atualizado em 16/07/2015 às 13:07, por Alana Rodrigues*.

puras de jornalismo". Essa é a opinião do repórter Igor Gielow sobre a cobertura de conflitos. Especializado em jornalismo internacional, ele viu de perto a guerra em países como Líbano, Israel, Paquistão e Afeganistão. A experiência deu vida ao primeiro romance de sua autoria — "Ariana" — lançado pela Record este mês.
Gielow é jornalista da Folha de S.Paulo desde 1992, onde passou por diversas funções. Atualmente é diretor da sucursal de Brasília (DF). Para ele, o trabalho em ambientes hostis envolvem todos os aspectos relevantes do ofício.
Crédito:Divulgação Romance nasceu da experiência do jornalista na cobertura de conflitos "Você tem no mesmo pacote política, economia, estratégia, tática, histórias humanas (geralmente dramáticas) e uma dificuldade muito grande de executar tudo isso sob uma pressão que não é só a do deadline, afinal de contas, você pode morrer", diz.
O livro acompanha o personagem Mark Zanders, jornalista brasileiro e correspondente em Londres. Especialista em Oriente Médio e sul da Ásia, é escalado para cobrir os conflitos políticos e religiosos no Paquistão. Lá, conta com a ajuda de Waqar, fixer (misto de intérprete, secretário, motorista e repórter) paquistanês que se torna seu amigo. Em um atentado, ele é fatalmente ferido e faz seu último pedido ao jornalista: encontrar Ariana.
Mark chega a uma rede de terroristas, espiões, líderes tribais e o Exército do Paquistão. Durante a apuração de seu grande furo jornalístico, o protagonista passa por conflitos pessoais e afetivos. O repórter testemunha mortes, traições, intrigas políticas e o sofrimento das mulheres. Ao mesmo tempo, traça seu caminho de autoconhecimento.
A ideia de escrever o romance surgiu partir da experiência real do autor no Paquistão e Afeganistão. Em suas coberturas, o jornalista sempre buscou ângulos diferentes e reportagens que unissem o hardnews com uma "abordagem mais 'fora da casinha'", como define.
Crédito:Divulgação Obra reúne experiência do repórter com ficção
"O caminho natural seria talvez enveredar pelo livro-reportagem, mas sempre percebi que era possível fazer algo mais rico e com nuances se estivesse libertado do compromisso com o factual", explica.

O realismo da obra, com aproximações entre autor e personagem, vem do acúmulo de coberturas pela região. "Tudo o que está lá é factível, embora seja uma visão fantasiada de realidades que aconteceram comigo ou com pessoas que eu conheço. Mas nem de longe é uma autobiografia, ainda que alguns demônios internos tenham sido devidamente toureados no processo de escrever", diz.
Entre as diversas coberturas que fez ao longo da carreira, Igor destaca quando foi para áreas tribais do Paquistão — territórios que fazem fronteira com o Afeganistão —, em 2009, seguida da eleição presidencial no país e a queda do regime Taleban, em 2001. * Com supervisão de Vanessa Gonçalves.