Repórter da "Info" publica carta aberta contra “cantada” de leitor no Facebook

Internautas também repercutiram a resposta da jornalista nas redes sociais

Atualizado em 16/12/2014 às 11:12, por Alana Rodrigues*.

Na última segunda-feira (15/12), a jornalista Paula Rothman, da revista Info , decidiu escrever uma para um leitor que pediu a ela um link de um vídeo no qual apareceria com um "decote de dar inveja". A mensagem foi enviada para a conta dela Facebook.

Crédito:Reprodução/INFO Paula Rothman diz que sempre recebe mensagens ofensivas

À IMPRENSA, Paula disse que ela e outras colegas já receberam diversas mensagens semelhantes durante os cinco anos em que trabalha para a publicação. "Não é a maioria dos leitores que mandam mensagens do gênero. E não é todo o dia. Mas acontece com certa frequência. Ontem foi só um desabafo", explica.

Segundo a jornalista, as mensagens vão desde ataques pessoais a comentários sobre aparência. "Não são as críticas que incomodam. Quando eles criticam o trabalho ou até quando comentam sobre a roupa, tudo bem. Entendemos que tem algo relacionado com o que estamos fazendo, mas quando é pessoal não faz o menor sentido", pondera.

Os . "Várias pessoas mandaram mensagem de apoio no Facebook e eu fiquei muito feliz. Foi muito legal a reação das pessoas", avalia.

"Parabéns pela resposta! E de maneira educada ainda por cima, se ele não entender é porque realmente não queria", escreveu um leitor no espaço de comentários do texto. "A mulher trabalhando e o cara com essa palhaçada. Absurdo! Nem com um grau de intimidade grande da pra fazer esse tipo de coisa. Só lamento", comentou outro.

Resposta

Na carta, Paula classifica a mensagem como "ofensiva" e diz que aprendeu, desde o primeiro dia de trabalho, a máxima de “não alimentar os trolls", mas que a publicação valia uma resposta. Ela ressalta que não imagina o que vestiu para gerar a mensagem.

"Mesmo camisas abotoadas até o pescoço já foram motivo de comentários como os seus. A conclusão é a de que nenhuma peça de roupa pode passar com louvor no critério arbitrário de modéstia da humanidade. Então, #FoiMal, eu nem imagino o que usei para estar, na sua opinião, com um 'decote generoso'", acrescenta.

A jornalista cita outra mensagem ofensiva que recebeu por e-mail. "Paula, tava batendo uma e lembrei de você...Vamo pro motel?", escreveu o internauta. "Por semanas depois desse e-mail fiquei me sentindo um lixo, tentando descobrir o que havia feito para provocar essa reação. Hoje, depois da sua mensagem no Facebook, essa sensação voltou. Por sorte, está mais fácil por a cabeça no lugar e ver com clareza: nada que eu possa fazer, vestir ou falar dá a alguém o direito de me escrever essas palavras", completa.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.