Repórter ameaçado por senador comenta arquivamento de advertência

Presidente do Sindicato dos Jornalistas do DF comenta parecer do Senado que arquiva pedido de advertência contra Requião

Atualizado em 26/07/2011 às 17:07, por Luiz Gustavo Pacete.

No dia 25 de abril, um repórter virou notícia. O motivo foi a atitude do senador Roberto Requião (PMDB-PR) que do jornalista da Rádio Bandeirantes Victor Boyadjian. O parlamentar se incomodou com uma pergunta de Boyadjian sobre sua pensão como ex-governador do Paraná. Além de ter tomado o instrumento de trabalho do jornalista, Requião o ameaçou dentro do Senado; e, via Twitter, debochou: "Acabo de ficar com o gravador de um provocador engraçadinho. Numa boa, vou deletá-lo".
Crédito: Divulgação Após o incidente, Boyadjian registrou queixa na Polícia Federal e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal emitiu pedido para punir o parlamentar. Entretanto, de acordo com o parecer do Senado, os advogados Hugo Souto Kalil, Fernando Cunha e Alberto Cascais apontaram que o pedido apresentado não atende requisitos que possam punir o senador e o presidente da Casa.
Com isso, José Sarney (PMDB-AP) acatou o parecer da advocacia: "Em face do exposto, considerando que o pedido do Sindicato não foi dirigido ao Conselho de Ética, não foi formulado por parte legítima, a representação processual mostra-se irregular, não foi acompanhado por qualquer elemento probatório e foi formulado com base em narração incompleta recomenda-se o seu arquivamento", diz o documento. Lincoln Macário Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal afirmou em entrevista ao Portal IMPRENSA, que os advogados da casa estão utilizando argumentos jurídicos para encobrir questões políticas. "Só tivemos acesso ao parecer na manhã da última terça-feira (26), publicado no Diário do Senado. E agora nossos advogados estão verificando o que pode ser feito. Mas uma coisa é clara, esse parecer não é só jurídico, também é político e temos que fazer um juízo de valor político", declarou.
Outra questão levantada por Macário é que a alegação da advocacia do senado foi de que o presidente da casa não tem competência para iniciar um processo dessa natureza, por isso, arquivou o caso. "Nós discordamos, se o presidente da casa não tem competência para iniciar um processo dessa natureza quem tem? O grande problema é que eles nem se quer se preocuparam em limpar a imagem da própria casa". Macário também destacou que passou o tempo em que os senadores estavam acima do bem e do mau, hoje já não dá para colocar as coisas sob o tapete e não se pronunciar.

Crédito: Reprodução Band: Ao Portal IMPRENSA, Boyadjian afirmou que a decisão de arquivamento assusta, porque sua única intenção na abordagem com o senador era obter uma informação de uma figura pública que "tem como obrigação prestar esclarecimento e ainda por cima, tem a tribuna para poder se retratar e não o fez".
O jornalista aponta que não entrou com nenhum processo contra o senador já que "não há nenhum embate pessoal. Sou simplesmente um jornalista lidando como uma autoridade pública. Uma relação que depende de cordialidade. Somente por precaução depois da ameaça fiz um registro na Policia Federal, para caso, algo acontecesse eu estivesse resguardado".

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