Repórter acusa mestre de cerimônias de ter feito comentário racista durante evento

Repórter acusa mestre de cerimônias de ter feito comentário racista durante evento

Atualizado em 30/03/2010 às 16:03, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

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Na última segunda-feira (29), durante realização de uma feira de gastronomia e turismo no Palácio de Convenções do Anhembi, na cidade de São Paulo, o mestre de cerimônias do evento teria feito comentário racista direcionado à repórter Juliana Albino, do site Hotêlier News.

Antes da solenidade de abertura, Manoel Costa, responsável pela apresentação, teria ofendido a repórter em meio a uma discussão na sala de imprensa do pavilhão. "Ele [Costa] estava mexendo nas minhas coisas, na minha bolsa, no meu bloco de anotações. Pedi que ele respeitasse", contou Juliana à reportagem. Em seguida, o mestre de cerimônias teria feito insinuação racista. "Volta pra senzala", disse Costa. Juliana registrou boletim de ocorrência e apresentou uma testemunha do incidente.

À IMPRENSA, o mestre de cerimônias negou que tenha atacado a repórter e explicou que buscava pelo roteiro do evento, sem dar conta que violava objetos de Juliana. "Os fatos colocados não são verdadeiros, uma das partes está se sentindo ofendida pela discussão", analisou acrescentando que requisitou à Juliana que se "controlasse" no momento do bate-boca, antes do suposto comentário.

"Tento entender qual é a motivação dessa moça para decidir denegrir a minha imagem e a do evento". O apresentador pontuou, ainda, que procurou um posto policial após o incidente, mas que, por ora, não considera medida judicial contra a repórter e irá aguardar posicionamento dos organizadores da feira.

Em nota sobre o acontecido, Juliana relata que a assessora do evento, Daniela Buono, fora complacente à atitude de Costa e que teria se recusado a tomar providências. "Quando eu cheguei, já estava acontecendo. Não queria confusão dentro da sala de imprensa; não vi nada. Sinceramente não sei o que ela [Juliana] achou que eu pudesse fazer em relação a ele [Costa]", relatou Daniela.

Apresentado como testemunha, Caio Martins, que trabalhava como assessor na ocasião, confirmou o comentário desferido por Costa. "Falou com todas as palavras: minha filha, não enche o saco, volta pra senzala!", relatou. Ele conta, ainda, que o mestre de cerimônias tentou contornar a situação quando Juliana o enfrentou pedindo que repetisse o que tinha dito.

A legislação

Especialista em crimes de racismo, o Dr. Cristiano Jorge Santos observou que, em caso de flagrante, o autor do comentário deveria ter sido preso, em acordo com o artigo 20 da Lei 7716/89, que prevê "reclusão de um a três anos e multa". "Se foi bem caracterizado e houve testemunha, deveria ter sido preso imediatamente. No mínimo um inquérito policial deve ser aberto para apurar o ocorrido", explicou Jorge Santos, professor de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Coordenador da Escola Superior do Ministério Público de São Paulo.

A Lei 9459/97, que reformou a promulgada em 1989, determina que crime de ordem racista "é inafiançável (a prisão não será relaxada em favor do criminoso) e imprescritível (a pena é perene, não ficando Estado impedido de punir a qualquer tempo o autor do delito).

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