Reportagem do Guardian questiona compra de florestas em nome da proteção ambiental
Reportagem do Guardian questiona compra de florestas em nome da proteção ambiental
Atualizado em 13/02/2008 às 13:02, por
Redação Portal IMPRENSA.
Reportagem do Guardian questiona compra de florestas em nome da proteção ambiental
O diário britânico The Guardian traz nesta quarta-feira,13, uma reportagem sobre a compra de florestas por indivíduos (principalmente bilionários) e ONGs em nome da proteção do meio ambiente.Com o título "Os conservacionistas deveriam poder comprar o planeta?", o artigo publicado na capa do caderno de cultura e sociedade do jornal questiona as conseqüências da "grande apropriação verde de terras".
A reportagem afirma que "salvar os lugares mais bonitos e ecologicamente importantes do mundo ficou muito mais fácil e mais barato. Centenas de websites administrados por ONGs, fundações e indivíduos agora convidam pessoas a comprar florestas, campos e montanhas para salvá-los de destruição e mudanças climáticas com o click de um mouse".
O jornal cita como exemplo o milionário sueco John Eliasch, dono de 400 mil acres da floresta amazônica. Eliasch pede ajuda para que sua ONG, a Cool Earth, possa comprar mais terras na fronteira entre o Brasil e o Equador. Segundo o jornal, o fato gerou críticas do governo brasileiro, "que diz que Eliasch é um 'eco-colonialista' e que os brasileiros podem cuidar de suas próprias florestas".
Entretanto, essa movimentação é recebida nos países pobres e em desenvolvimento "com medo e hostilidade", levando em conta o histórico dos conservacionistas estrangeiros, como empresário americano Ted Turner.
Dono de dois milhões de acres na Patagônia - maior proprietário de terras da Argentina -, suaspropriedades se encontram sobre um dos maiores reservatórios subterrâneos de água do mundo, levando a imprensa argentina a acusá-lo de tentar obter o controle do suprimento de água e prejudicar os fazendeiros do país.
A reportagem comenta também o projeto de compra de emissões de carbono, em que países ricos pagariam aos países em desenvolvimento, em troca de créditos de carbono, a manutenção de florestas e reservas.
Os países ricos continuariam poluindo e os países em desenvolvimento receberiam dinheiro para manter as reservas naturais, prejudicando seu desenvolvimento. De acordo com o Guardian , este comércio questiona quem é o verdadeiro proprietário das florestas, e poderia trazer ainda mais problemas para a conservação, além de gerar mais corrupção, especulação, tomada de terras e conflitos.
Com informações da BBC.






