Reportagem colaborativa investiga papel do Brasil no comércio ilegal de ouro venezuelano
Durante meses, os jornalistas venezuelanos Joseph Poliszuk, cofundador do veículo investigativo ArmandoInfo, e María Ramírez Cabello, bolsista da Rede de Investigação em Florestas Tropicais (RIN, na sigla em inglês), ligada ao Pulitzer Center, trabalharam em conjunto com o colega brasileiro Eduardo Goulart, editor de Brasil do Organized Crime and Corruption Reporting Project, com o objetivo de investigar o comércio ilegal de ouro na Amazônia, mais especificamente na fronteira entre Brasil e Venezuela.
Atualizado em 28/03/2023 às 16:03, por
Redação Portal IMPRENSA.
Publicada hoje no site do Pulitzer Center, a reportagem revelou que a petroleira estatal venezuelana PDVSA concedeu recentemente a administração do combustível que o governo do país leva para os municípios de Santa Elena de Uairén e Pacaraima, na fronteira entre a Venezuela e o Brasil, a Marco Antonio Flores Moreno, cidadão venezuelano procurado no Brasil por tráfico de ouro e indiciado na própria Venezuela pelo mesmo crime. Crédito: Reprodução Pulitzer Center Reportagem colaborativa mostrou que ouro ilegal da Venezuela vai parar na Índia e em Dubai via Brasil
"Empresário"
Ainda de acordo com a matéria colaborativa, Moreno é hoje um dos maiores fornecedores de ouro na fronteira entre Brasil e Venezuela. Considerado um importante empresário pela mídia local, ele mora em um condomínio de luxo no bairro Laguna de Cielo Azul e é dono de vários prédios comerciais em uma área estratégica do estado de Bolívar.
Dois anos antes de começar a atuar no negócio de distribuição de gasolina, prossegue a matéria, ele foi preso por agentes da Diretoria de Contra-Inteligência Militar (Dgcim). O texto ainda informa que, na 4ª Vara Federal Criminal de Boa Vista, Roraima, ele é descrito como um dos líderes de uma rede de comércio ilegal de ouro extraído na selva da cidade venezuelana de Guaiana e vendido no Brasil e outros países.
Baseada em investigações da Polícia Federal de Roraima, a reportagem publicada no Pulitzer Center mostra ainda que, no auge da pandemia, os traficantes venezuelanos de ouro recebiam como pagamento alimento e cestas básicas.
O esquema envolveria 35 réus e teria movimentado somente entre 2017 e 2019 1,2 tonelada de ouro. A matéria mostra que, após sair das minas ilegais do estado de Bolívar, o produto foi parar – via Brasil – no mercado global. Dentre os destinos identificados pela reportagem estão Índia e Dubai. A reportagem na íntegra em espanhol pode ser acessada .





