Reportagem afirma que Eletrobras pagou para agência deteriorar imagem da estatal na mídia
Reportagem da Agência Spotlight de Jornalismo Investigativo indica que a atual gestão da Eletrobras pagou R$ 1,8 milhão para expor dificuldades da estatal e facilitar o apoio da opinião pública a uma possível privatização.
O contrato ECE-DJS 1252/2017 foi obtido por meio da Lei de Acesso à Informação. Na descrição da atividade, diz-se que a FSB iria “assessorar a Eletrobras na comunicação relativa ao projeto de acionista majoritário de desestatização da empresa”. Em resposta à Spotlight, a agência de comunicação indica que respeitou cláusula que ressaltava a necessidade de se “preservar a imagem positiva da empresa”, mas reconhece que a divulgação “não omite dados negativos como prejuízos financeiros ou dívida bruta superior a R$ 45 bilhões”.
A reportagem afirma que, depois de feita uma “análise de cenário”, definiu-se o chamado “mapeamento dos stakeholders”, para identificar qual seria o público-alvo dessas informações. Em seguida, começou a fase de “mobilização dos influenciadores”, item discriminado com custo de R$ 170 mil dentro do R$ 1,8 milhão do projeto total. Também foi realizada uma pesquisa de opinião pública ao custo de R$ 120 mil.
O acordo entre Eletrobras e FSB prevê que os pagamentos entre contratante e contratada seriam feitos quando houvesse a “entrega dos relatórios mensais elaborados pela contratada correspondentes à consolidação dos resultados alcançados”. Sportlight solicitou esses relatórios por meio de novo pedido de Lei de Acesso à Informação, mas, embora o contrato em si tenha sido disponibilizado também via LAI, ainda que em recurso de última instância, o acesso aos relatórios foi negado.
A empresa estatal também barrou que a reportagem tivesse acesso ao processo de licitação para contratar a prestadora de serviço, pedidos via LAI negados em primeira e segunda instância. De acordo a apuração de Lúcio, a Informe fez a menor proposta, mas quem acabou escolhida foi a FSB.
A Eletrobras alegou que “em face da sua complexidade e singularidade, bem como confidencialidade, por envolver informações estratégicas da empresa, somente poderia se dar através de inexigibilidade de licitação, o que impossibilita o estabelecimento de critérios objetivos, requerendo empresa de notória especialização em estratégia de comunicação”.
O contrato foi assinado em 17 de outubro de 2017, durante a gestão Wilson Pinto Ferreira Junior na presidência da Eletrobras.
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