Renúncia de Fidel do Partido Comunista não altera perspectiva para imprensa
Renúncia de Fidel do Partido Comunista não altera perspectiva para imprensa
Atualizado em 23/04/2011 às 14:04, por
Luiz Gustavo Pacete e repórter da Revista IMPRENSA.
| | Globalvoicesonline.org |
Esperado por 14 anos, o 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC) termina no dia 19 de abril, deixando nos semblantes cubanos uma expressão de "deja vu". Após 46 anos na liderança do PCC, Fidel Castro renuncia oficialmente e abre alas para seu irmão Raúl Castro assumir o posto.
Fidel Castro
Não existe imprensa privada em Cuba
Entre várias mudanças esperadas está o processo de privatização da economia interna. Ainda assim, as reformas ficam restritas ao setor econômico, já que fundamentais transformações sociais e de liberdade de expressão são vinculadas a uma reforma política.
Área estratégica do Partido Comunista, a imprensa estatal segue a serviço de difundir a propaganda castrista. Se em algum momento foi cogitada a abertura econômica para a imprensa, a conversão de tal perspectiva está longe de ser concretizada. Os jornais e , fundados em 1965, continuam como carros-chefe da imprensa cubana. Igualmente intocada, a revista Bohemia permanece sem mudanças.
Na área eletrônica, o Instituto Cubano de Radio e Televisão (ICRT) é o órgão supremo. Coordena toda a estrutura de comunicação televisiva e radiofônica do país.
Segundo a blogueira e colunista da revista IMPRENSA, Yoani Sánchez, nada muda também em termos de liberdade de atuação dos jornalistas. "Continua vigente em Cuba a lei da mordaça. Criada em 1988, ela prescreve longas condenações a quem manifestar inconformidade com o governo, principalmente jornalistas", afirma.
Internet na ilha
Barack Obama sinaliza, em 13 de abril de 2009, estudar a autorização para empresas de telecomunicações dos Estados Unidos explorem comercialmente o mercado e lacunas estruturais de Cuba. As conversas não prosseguiram desde então.
Administradas pela Empresa Estatal de telecomunicações Cubana (ETECSA), a Internet em Cuba é restrita. Acessos domésticos são limitados a cidadãos que ocupam posições estratégicas ou essenciais; Médicos e outros. Ao restante da população, o acesso é restrito a pontos em hotéis ou em lan houses, onde pagam cerca de dez dólares por hora.
A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), diz perceber preocupação por parte de Cuba quando o assunto é Internet e a enraizada presença norte-americana no ambiente digital.
Em maio de 2009, a Microsoft cancela seu tradicional serviço de mensagens instantâneas (Microsoft Live Messenger) em países com os quais os Estados Unidos não mantém relações comerciais.
Economia e mercado de trabalho da imprensa
A estrutura dos veículos de comunicação cubanos é ultrapassada. Além disso, a imprensa cubana passa por uma nova crise, reflexo da situação econômica da ilha. Algo próximo ao que ocorreu em 1989, quando, com a perda de subsídios por parte da ex-União Soviética (URSS), o governo reduziu a circulação do Granma em dos terços, passando da tiragem habitual de dois milhões para os atuais 450 mil exemplares.
Em 1995, Cuba volta a crescer e normaliza parte da circulação de jornais e revistas que passam a ser impressos em papel de baixa qualidade, produzido no país de forma precária ou importado da Venezuela ou da China.
De acordo com artigo publicado pela Revista Espaço Acadêmico, de julho de 2005, "apesar dessas pequenas melhoras nos últimos anos, a mídia nunca chegou a recuperar sua capacidade anterior. Jornalistas continuam procurando outras profissões para incrementar o nível de renda. Entre os setores mais procurados por periodistas cubanos está o turístico".






