Renan Calheiros rebate acusações de João Lyra em nota à imprensa
Renan Calheiros rebate acusações de João Lyra em nota à imprensa
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgou, nesta quinta-feira (16/08), nota à imprensa rebatendo as acusações que o usineiro João Lyra fez contra ele em carta aberta. O usineiro acusa o senador de ter sido seu sócio na aquisição de emissoras de rádio e jornal em Alagoas com o uso de "laranjas".
Na nota, Calheiros afirma que a carta aberta do ex-deputado federal João Lyra é "um triste retrato da mentira e da hipocrisia" e uma "expressiva demonstração de ressentimento", referindo-se ao fato de Lyra ter perdido as eleições para o governo de Alagoas.
O senador ainda o acusa de ter ameaçado um juiz alagoano de morte e diz estar sofrendo uma "devassa" em sua vida. Calheiros termina a nota convidando o usineiro a apresentar o texto integral do documento que entregou à revista Veja -responsável pelas primeiras denúncias contra o senador - e a abrir seus sigilos fiscais como ele fez "espontaneamente", para que a "trama que [João Lyra] armou contra" ele seja desvendada.
No início da tarde desta quinta-feira, a Mesa Diretora do Senado autorizou, por unanimidade, a abertura do terceiro processo contra Calheiros, para investigas as denúncias de Lyra.
Logo mais, às 16h, o corregedor do Senado, Romeu Tuma, irá se encontrar com o usineiro para que ele possa prestar esclarecimentos sobre o fato.
Confira abaixo a íntegra da nota de Renan Calheiros:
"NOTA À IMPRENSA
A Carta aberta do ex-deputado federal João Lyra é um triste retrato da mentira e da hipocrisia. É, também, a mais expressiva demonstração do ressentimento de quem me atribui responsabilidade pela acachapante derrota nas eleições para o governo de Alagoas, caracterizando, de uma vez por todas, a existência de uma questão política local levada para o lado pessoal.
Recebi João Lyra, deputado federal, em meus gabinetes, assim como recebi toda a bancada de Alagoas, sem exceção. Na interinidade da Presidência da República, atendi a seus insistentes apelos para tirar uma fotografia comigo, quando implorava pelo meu apoio para sua candidatura a governador.
Só estivemos juntos em palanque nas eleições de 1986, há, portanto, 21 anos, quando ainda não havia indícios, senão certeza, de que João Lyra era de fato um fora da lei. Para o governo de Alagoas apoiei o meu honrado e fraterno amigo, o então Senador Teotonio Vilela. Derrotado repetidamente nas eleições majoritárias que disputou, João Lyra passou a me atacar diariamente. Basta ver as 60 últimas edições do jornal de sua propriedade, agora nas mãos de um laranja.
O povo de Alagoas rejeitou o nome de João Lyra para governar o Estado. Quem o acusou de crimes não fui eu e sim a Justiça Pública. Escapou, até agora, pelo artifício da prescrição. E ameaçou o Juiz Marcelo Tadeu de morte. O pedido de proteção desse correto magistrado alagoano aos órgãos competentes fala por si só. O Procurador-geral da República mandou apurar esses fatos.
Há 80 dias venho sofrendo uma devassa em minha vida. Meus sigilos fiscais e bancários estão abertos desde maio, por minha iniciativa. Pedi ao Ministério Público, foi iniciativa minha, para me investigar, a fim de que pudesse me defender das maledicências perante o Supremo Tribunal Federal. Nada devo. Nada temo. Não respondo por crime algum.
Mas João Lyra dirá suas mentiras requentadas em depoimento que prestará, de forma unilateral e protegido por um séquito de bajuladores, caracterizando a questão local que quer transportar para o plano nacional. Se ele apresentasse o texto integral do documento que entregou à Revista Veja e abrisse os seus sigilos bancários e fiscais, como eu fiz espontaneamente, e comparecesse ao Conselho de Ética para ser inquirido como os demais, estaria desvendada trama que armou contra mim.
Senador Renan Calheiros"
Com informaões da Agência Senado e da Radiobrás.






