Relatório do Instituto Reuters coloca em risco jornalistas independentes, diz ganhadora do Nobel da Paz
Atualizado em 19/06/2023 às 15:06, por
Redação Portal IMPRENSA.
Ganhadora em 2021, junto com o colega russo Dmitri Muratov, do Prêmio Nobel da Paz por sua defesa da liberdade de imprensa, a jornalista filipina Maria Ressa criticou em entrevista ao jornal britânico The Guardian, publicada semana passada, o relatório anual do Instituto Reuters, ligado à Universidade de Oxford, sobre hábitos de consumo de notícias online.
Em sua edição 2023, que também foi publicada na semana passada, o levantamento entrevistou 94 mil pessoas em 46 países, incluindo o Brasil. Além de indicar diminuição do interesse dos brasileiros por notícias, o trabalho apontou SBT, Band e Record como as empresas com mais menções de "confiáveis" no cenário jornalístico nacional, enquanto Globo, O Globo, Folha de S. Paulo, Veja e O Estado de S.Paulo seriam as com mais menções de "não confiáveis". Crédito: Andrew Caballero-Reynolds/AFP/Getty Images/Reprodução The Guardian Maria Ressa é alvo de vários processos judiciais nas Filipinas, nos quais dados do Instituto Reuters foram usados contra ela
Financiamento do Google
Para Ressa, que renunciou no ano passado ao conselho consultivo do Instituto Reuters, a entidade coloca em risco, com suas pesquisas, jornalistas e veículos independentes, principalmente no hemisfério sul.
O próprio Rappler – veículo de notícias co-fundado por ela e cujo trabalho foi citado em sua indicação ao Prêmio Nobel – é classificado no levantamento como um dos menos confiáveis nas Filipinas. Tal resultado foi usado pelo governo local para atacar o veículo e a jornalista, que sofrem assédio judicial principalmente por sua cobertura crítica da gestão do ex-presidente Rodrigo Duterte.
“No ano passado, renunciei ao conselho porque achei horrível que eles continuassem com isso e que fosse armado e usado contra nós, em um momento crítico", justificou Ressa, acrescentando que o relatório do Reuters Institute é parcialmente financiado pelo Google e não leva em consideração o impacto de campanhas de desinformação. Ela também sustenta que o relatório reflete o preconceito tácito das plataformas de tecnologia em relação a veículos de imprensa independentes.
Rasmus Kleis Nielsen, diretor do Institute Reuters, lamentou o que chamou de "abuso" contra Maria Ressa e afirmou que o relatório sobre notícias digitais foi deturpado pelo governo filipino.
A pesquisa sobre notícias digitais do instituto é feita há mais de uma década e visa fornecer uma visão geral do consumo desse tipo de notícias no mundo.
Em sua edição 2023, que também foi publicada na semana passada, o levantamento entrevistou 94 mil pessoas em 46 países, incluindo o Brasil. Além de indicar diminuição do interesse dos brasileiros por notícias, o trabalho apontou SBT, Band e Record como as empresas com mais menções de "confiáveis" no cenário jornalístico nacional, enquanto Globo, O Globo, Folha de S. Paulo, Veja e O Estado de S.Paulo seriam as com mais menções de "não confiáveis". Crédito: Andrew Caballero-Reynolds/AFP/Getty Images/Reprodução The Guardian Maria Ressa é alvo de vários processos judiciais nas Filipinas, nos quais dados do Instituto Reuters foram usados contra ela
Financiamento do Google
Para Ressa, que renunciou no ano passado ao conselho consultivo do Instituto Reuters, a entidade coloca em risco, com suas pesquisas, jornalistas e veículos independentes, principalmente no hemisfério sul.
O próprio Rappler – veículo de notícias co-fundado por ela e cujo trabalho foi citado em sua indicação ao Prêmio Nobel – é classificado no levantamento como um dos menos confiáveis nas Filipinas. Tal resultado foi usado pelo governo local para atacar o veículo e a jornalista, que sofrem assédio judicial principalmente por sua cobertura crítica da gestão do ex-presidente Rodrigo Duterte.
“No ano passado, renunciei ao conselho porque achei horrível que eles continuassem com isso e que fosse armado e usado contra nós, em um momento crítico", justificou Ressa, acrescentando que o relatório do Reuters Institute é parcialmente financiado pelo Google e não leva em consideração o impacto de campanhas de desinformação. Ela também sustenta que o relatório reflete o preconceito tácito das plataformas de tecnologia em relação a veículos de imprensa independentes.
Rasmus Kleis Nielsen, diretor do Institute Reuters, lamentou o que chamou de "abuso" contra Maria Ressa e afirmou que o relatório sobre notícias digitais foi deturpado pelo governo filipino.
A pesquisa sobre notícias digitais do instituto é feita há mais de uma década e visa fornecer uma visão geral do consumo desse tipo de notícias no mundo.





