Relatório da Freedom House aponta queda da liberdade de imprensa no mundo

Freedom House divulga relatório que mostra queda da liberdade de imprensa no mundo.

Atualizado em 07/05/2014 às 14:05, por Redação Portal IMPRENSA.

A organização não governamental Freedom House divulgou nesta semana relatório que mostra que a liberdade de imprensa no mundo está em seu nível mais baixo em mais de uma década. O índice foi puxado por quedas no Oriente Médio e nos países do Leste da África, mas também foi propulsionado por uma deterioração nos Estados Unidos.
Crédito:Reprodução Levantamento aponta aumento de violência dos Estados contra a imprensa
Segundo a Folhapress, o documento da entidade revela crescimento de casos de repórteres estrangeiros e órgãos de comunicação como alvo dos Estados em 2013. O levantamento retrata que a parcela da população mundial que vive sob ambientes de imprensa “livres” é de apenas 14% e equivale a 63 países, contra 44% de pessoas em locais “não livres”, encontradas em 66 nações, e 42% sob regimes "parcialmente livres", os quais representam 68 federações.
Neste contexto, Rússia e China são exemplos de países que se recusaram a renovar os passaportes de jornalistas de outras federações ou ameaçaram fazê-lo, com notas 81 e 84, respectivamente. A avaliação vai de 0 a 100 e quanto mais alta, menor a liberdade. Para a diretora de projetos do relatório, Karin Karlekar, o declínio ocorreu por conta de "iniciativas de governos para controlar a mensagem e punir o mensageiro".
Na América Latina, o Brasil é um dos destaques positivos. Com 45 pontos, o país foi definido pela analista-sênior de pesquisa da Freedom House, Jennifer Dunham, como um dos ambientes de imprensa mais abertos no continente, "especialmente em comparação com declínios recentes na Venezuela, Equador e Argentina". No entanto, o país poderia ter obtido melhor resultado, de acordo com a executiva. Ela ressalta que há dois impeditivos que travam tal perspectiva: a agressões a profissionais e a intimidação judiciária.
"A maior intimidação vem de juízes decidindo a favor de figuras políticas proeminentes em casos de difamação ou privacidade e do grande número de solicitações para retirada de conteúdo", avaliou. Já os Estados Unidos, sinônimo de imprensa “livre”, figurou entre os maiores declínios do mundo no período, em decorrência das tentativas do governo de Barack Obama de inibir reportagens que tratem sobre questões de segurança nacional, a fim de compelir jornalistas a revelarem suas fontes.