Relatório da CNV legitima versão de que a "Folha" emprestou carros para a ditadura

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) legitima a versão de que o Grupo Folha, dono do jornal Folha de S.Paulo, ofereceu ap

Atualizado em 11/12/2014 às 09:12, por Redação Portal IMPRENSA.

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) legitima a versão de que o Grupo Folha, dono do jornal Folha de S.Paulo , ofereceu apoio financeiro e ideológico ao golpe de 1964, além de suporte material com o fornecimento de veículos para a Operação Bandeirante (Oban), centro de investigações do Exército que combatia as organizações de esquerda.
Crédito:Divulgação Relatório da Comissão da Verdade comprova apoio da imprensa à repressão política
Segundo a CartaCapital, no documento sobre a colaboração de civis com o regime, feito por 11 pesquisadores do grupo de trabalho sobre o Estado Ditatorial-Militar, a CNV menciona o livro "Cães de guarda: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988", tese de doutorado da pesquisadora Beatriz Kushnir.
O levantamento de Beatriz constatou "a presença ativa do Grupo Folha no apoio à Oban, seja no apoio editorial explícito no noticiário do jornal Folha da Tarde , seja no uso de caminhonetes da Folha para o cerco e a captura de opositores do regime".
O trabalho da pesquisadora vai ao encontro de depoimentos de ex-militantes da esquerda, como o do jornalista Alípio Freire e do coordenador da Comissão da Verdade de São Paulo Ivan Seixas. Preso aos 16 anos e torturado ao lado do pai, Joaquim Seixas, que morreu nas dependências do DOI-Codi de São Paulo, Ivan afirmou em diversas oportunidades ter visto carros do jornal usados por agentes da repressão.
Outro lado
A Folha relembrou que os jornais O Estado de S. Paulo e O Globo também apoiaram o golpe. No relatório, são citados Júlio de Mesquita Filho, ex-diretor do Estadão , como um dos articuladores, e o publisher da Folha , Octavio Frias de Oliveira, entre os integrantes do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (Ipes), órgão que promovia propaganda contra Jango.
Sobre a Oban, a Folha afirma que não tomou parte em seu financiamento. "Não há documentos nem testemunhos diretos que corroborem a acusação de que a extinta Folha da Tarde tenha emprestado veículos para órgãos da repressão", ressalta.