Relatório confirma que governo federal pagou anúncios em jornais inexistentes

O levantamento, feito a partir do trabalho da Controladoria-Geral da União, foi movido por texto publicado pela "Folha".

Atualizado em 18/02/2015 às 11:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Um relatório realizado pela Presidência em 2013 confirma indícios de que o governo federal pagou anúncios em jornais inexistentes no ABC Paulista. O levantamento, feito a partir do trabalho da Controladoria-Geral da União, foi movido por texto publicado pela Folha de S.Paulo em 2012 e chegou a conclusões similares às da reportagem.
Crédito:Divulgação Governo confirma anúncios em jornais inexistentes
De acordo com o jornal, a auditoria aponta que, entre 2008 e 2012, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência pagou R$ 364,6 mil a cinco jornais do Grupo Laujar de Comunicação S/A, de São Bernardo do Campo.
Segundo os auditores, os jornais "resumem-se a quatro páginas cada um", com notícias repetidas, nos quais "informações e imagens" são "cópias de reportagens de site de notícias sem atribuição [de] créditos", o que resultariam em "indícios de fraude".
Três anúncios eram veiculados no jornal. Um da Unimed, com números de telefone genéricos; outro sem identificação; e o último, do governo. No endereço, era constado um "sobrado residencial". Os moradores das proximidades do suposto parque gráfico desconheciam as atividades no local.
Os auditores visitaram 35 bancas de jornal e contataram mais 21. A única que conhecia um dos títulos, o "Jornal do ABC Paulista", recebeu dois exemplares para vender no mesmo dia, sendo indicada pelo dono da Laujar.
O levantamento aponta a conclusão que "os periódicos entregues como prova à Secom foram forjados". De acordo com o texto, a declaração em cartório sobre a tiragem das publicações "é falsa".
Em 2012, a Folha informou que a Secom gastou, desde 2011, R$ 135,6 mil para anunciar nos jornais. No ano passado, apontou que, entre 2004 e 2012, estatais federais pagaram R$ 1,3 milhão à empresa.