Relatório anual do Repórteres Sem Fronteiras denuncia "covardia" contra jornalistas

Relatório anual do Repórteres Sem Fronteiras denuncia "covardia" contra jornalistas

Atualizado em 13/02/2008 às 14:02, por Redação Portal IMPRENSA.

A organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou nesta quarta-feira (13), em seu relatório anual a "covardia" de alguns países ocidentais e de grandes instituições internacionais em matéria de defesa da liberdade de imprensa. A RSF teme pelas "prováveis violências" contra os jornalistas nos próximos meses, especialmente durante as eleições.

De acordo com informações da AFP, Robert Ménard, secretário-geral da RSF, afirmou no prefácio do relatório que "a covardia de certos países, de grandes instituições internacionais, escurece a liberdade de expressão".

A RSF também apontou a "duplicidade" das Nações Unidas, cujo Conselho dos Direitos do Homem "capitulou face a face com países como o Irã e o Usbequistão". O relatório propõe análises regionais sobre a situação da liberdade de imprensa em 2007 e disponibiliza capítulos sobre 98 países.

Para os próximos meses, a organização revela preocupação com as possíveis violências contra os jornalistas por ocasião de eleições em locais como o Paquistão (dia 18 deste mês), a Rússia (2 de Março), o Irã (14 de Março) e o Zimbábue (29 de Março).

O relatório também comenta a segurança de jornalistas em zonas de conflito. No Sri Lanka, nos territórios palestinos, na Somália, na Nigéria ou ainda no Iraque, país que, de acordo com a RSF, continua a "enterrar jornalistas a cada semana ou quase".

Eles protestam ainda contra a censura às novas formas de comunicação, como as imagens transmitidas por celulares, sites de compartilhamento de vídeos ou redes sociais online, alusão à repressão chinesa, objeto de atenção às vésperas dos Jogos Olímpicos.

Em um capítulo especial sobre o Brasil, a ONG salienta que "dois jornalistas foram assassinados em 2007 (Luiz Carlos Barbon Filho, em 5 de maio de 2007, e João Alckmin, em 22 de novembro), mas só um homicídio parece estar ligado ao exercício da profissão".

E afirma também que "ainda não tiveram fim as agressões violentas nem as tentativas de atentado contra a imprensa. Esta tem que enfrentar, principalmente, a multiplicação de medidas de censura prévia. Um anteprojeto de lei, com debate esperado para 2008, prevê a revogação da Lei de Imprensa de 1967, herdada da ditadura militar".

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