Relações Públicas divulga lista de termos proibidos em textos
A blogueira do Some Light Drizzle, Caroline Gilmour, faz uma reflexão sobre o uso de clichês
Caroline Gilmour, relações públicas e redatora do blog , faz uma reflexão sobre o uso de clichês, em artigo publicado no .
Ela revela ter sido muito crítica com relação a esse tipo de linguagem, mas confessa já ter feito uso dela e justifica que alguns termos podem parecer jargões em determinado momento e, tempos depois, acabam se tornando corriqueiros.
Diante do uso inadequado de palavras e expressões, Caroline se vê na obrigação de tomar uma atitude. Ela acredita que eliminar alguns vícios de linguagem não iria contribuir para a melhora dos padrões de escrita, mas para a sua própria satisfação.
Então, listou dez exemplos de termos e frases em inglês que, em sua opinião, deveriam ser banidos da escrita. Para o uso de cada uma das expressões listadas, Caroline expõe suas justificativas.
1. Key (when used to mean important, pivotal or fundamental)
Chave (quando utilizado para dar o sentido de importante, principal ou fundamental)
Em sua argumentação, diz que é um termo comumente utilizado por profissionais de relações públicas e que se opõe ao seu uso por ocorrer principalmente para que a frase possa soar melhor, que tenha um tom de correta e oficial. Assim, seria omitido o real sentido da sentença, se de fato houvesse algum. Para exemplificar, diz que quando as pessoas colocam "key" antes de "stakeholder" (envolvidos) ou "message" (mensagem), pretendem dar o sentido de "envolvido importante" e "mensagem importante", respectivamente, sem dizer o que são realmente. O intuito seria disfarçar o fato de que não podem dizer o que são. Para ousar, segundo ela, é preciso nomeá-los. E orienta: se a frase lhe parece muito vaga e não contém o termo "key", então deve ser mesmo muito sem sentido.
2. In the current economic climate (and variations)
No cenário econômico atual (e variações)
Esta expressão, segundo Caroline, daria um caráter de domínio a respeito da economia para um artigo genérico (assim deveria esperar o autor do texto). Ela aponta que Estima-se a existência de dez bilhões de artigos que começam com estas palavras desde o início da recessão, sendo que aproximadamente 99 por cento deles explicam como "chegar à frente", durante um período de desaceleração. Somente 1 por cento dos autores analisados tinha dados seguros sobre o cenário econômico do momento. E cita que outras variações do gênero incluem "no ritmo acelerado do mundo empresarial de hoje."
3. Holistic
Holístico
A autora do artigo diz que esta palavra deveria ter sido esquecida e que apesar de ser menos frequente o seu uso, ainda é comum em algumas regiões. Quando as pessoas usam holístico, querem dizer algo como "tem um monte de coisas a serem levadas em consideração." Como exemplo, diz que um profissional de saúde holístico poderia levar em conta o estado da mente do paciente, o signo do Zodíaco e o seu animal de estimação preferido, bem como os seus sintomas físicos.
4. Innovation
Inovação
Com relação a esta palavra, diz que não que se livrar completamente dela, apenas a acompanhar atentamente a sua utilização.
Cariline analisa que no passado, quando não era usada por empresas com a finalidade de adicionar produtos atualizados em seus processos, foi uma palavra muito poderosa, ligada a inventores e engenheiros inteligentes envolvidos em trabalhos para a NASA. Mas reclama que passou a ser banalizada e acabou significando "não existia no mundo até agora," sendo que, na verdade, tratam-se de coisas comuns, tais como sanduíches e xícaras de chá, que não deveriam ser chamadas inovações.
5. Strategic
Estratégico
Esta é mais uma palavra que diz não querer eliminar por completo, mas limitar o seu uso. De acordo com Caroline, em certos contextos, o termo estratégico pode ser divertido e interessante, como nos exemplos seguintes: "comando estratégico de mísseis" e "tropas estratégicas". Fora do contexto de guerra, no entanto, acredita que o termo estratégico seja somente mais uma linguagem corporativa sem sentido.
6. Revolutionary
Revolucionário
Neste caso, Caroline critica a falta de adjetivos em agências de comunicação e questiona a denominação de "versão 9.1" de um determinado produto que, segundo ela, não se trata de algo realmente novo. Para ela, a "revolução" descreve um processo ou efeito e não um estado de ser. E conclui que um produto novo não deve ser chamado de revolucionário, mesmo que já tenha sido revolucionário.
7. Enabling
Permitindo
Para Caroline, é difícil evitar o uso desta palavra ao escrever sobre produtos ou serviços. Ela propõe que seria um exercício interessante pesquisar quantas vezes um jornalista a diz "permitindo" em um dia. Ela conta que, às vezes, para a variar o uso das palavras, utiliza "permite que você" ou "te ajuda a", mas não acha que sejam boas formas para se expressar. A solução, diz, é encarar o problema de maneira diferente: Em vez de "O telefone xxx permite enviar mensagens de vídeo", deve-se tentar " mensagens de vídeo podem ser enviadas pelo telefone xxx", ou algo ainda mais descritivo.
8. Enhancing/maximizing/optimizing
Melhorar/Maximizar/Otimizar
Palavras como estas a incomodam devido ao uso excessivo delas, geralmente em textos relacionados a produtos de tecnologia. Para ela, são termos muito chatos, especialmente quando repetidos inúmeras vezes ao longo de um artigo ou aviso de pauta.
9. Solution
Solução
De acordo com Caroline, a revista tem uma seção dedicada ao uso indevido dessa palavra, mas afirma que ainda é bastante utilizada, por não serem encontrados outros termos para substitui-la.
10. Proprietary
Proprietário
Ela relaciona as palavras "Proprietários" e "sob medida" com "solução", que, em sua opinião, costumam aparecer juntas. E avalia que se tratam de palavras técnicas que tem a ver em contextos que envolvam softwares. Mas quando saem do universo do software, observa que pode um comprometimento do texto, devido as associações técnicas. Sugere o uso de "exclusivo" ou "xxx-desenvolvido" em seu lugar e pede ao leitor de seu artigo uma sugestão melhor.
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