Reinaldo Azevedo critica, em artigo, "demonização" da imprensa no caso Isabella

Reinaldo Azevedo critica, em artigo, "demonização" da imprensa no caso Isabella

Atualizado em 05/05/2008 às 16:05, por Redação Portal IMPRENSA.

O jornalista Reinaldo Azevedo, em artigo publicado na revista Veja desta semana, criticou as críticas feita ao trabalho da imprensa em relação à cobertura do caso Isabella, e afirmou que os que defendem um jornalismo menos sensacionalista e mais objetivo, fingem querer uma imprensa melhor, mas na verdade "o que eles querem é imprensa nenhuma".

Ele diz que o caso Isabella "virou metáfora. Em certos círculos, as notícias sobre o assassinato tornaram-se símbolos dos 'exageros' cometidos pela 'mídia' - empregam essa palavra em vez de 'imprensa'".

Para exemplificar, Azevedo comenta que os críticos mais ferrenhos são os esquerdistas em geral e os petistas em particular. E cita o comentário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após 28 dias sem dar declarações sobre o caso: "O que eu acho grave é que, mesmo que o casal seja inocente, eles já estão condenados".

O jornalista compara as declarações de Lula sobre o casal suspeito às afirmações do presidente, em entrevista concedida ao "Fantástico" em 1º de janeiro de 2006, no auge do escândalo do mensalão: "Eu baseio a minha vida em achar que todo mundo é inocente até que se prove o contrário".

Por isso, para Reinaldo Azevedo o caso de Isabella virou metáfora. Porque "as críticas ao trabalho da imprensa carregam, não raro, o rancor e a má-fé dos que pretendem tratar a República como assunto privado, ao abrigo da curiosidade do 'povo', visto como um bando de linchadores, e do escrutínio da opinião pública", escreve o jornalista.

Ele diz que não questiona "o princípio da presunção da inocência, descoberto tardiamente pelo PT", mas indaga se a "presunção da inocência, ao abrigo da apuração jornalística e da livre circulação da circulação, degenera em impunidade".

Para embasar sua crítica, diz que, no caso Isabella, a imprensa não inventou os treze minutos em que tudo teria acontecido, nem plantou as marcas da rede de proteção da janela na camiseta do pai. E afirma que o jornalismo também é inocente nos saques do Banco Rural, no depósito feito na conta de Duda Mendonça no exterior ou no dossiê feito pela Casa Civil. Para ele, em todas as situações, a imprensa cumpre o papel que cabe a ela: o de informar.

A revolta do povo em relação à morte da menina, é, para o jornalista, "prova de saúde social, pois queremos afastar do convívio os que nos ameaçam". E completa: "A crítica ao comportamento do jornalismo no caso do infanticídio trai a repulsa a um dos aspectos mais virtuosos da democracia: a liberdade de informação. E só por isso, diga-se, emprega-se 'mídia', um termo que já virou um fetiche, em vez de 'imprensa'".

Isso acontece, segundo Azevedo, porque os meios de comunicação de massa, são, desde os anos 60, considerados por alguns "severos monstros da dominação ideológica, a serviço, claro, do hediondo capitalismo e da banalização das verdades superiores da humanidade". A mídia, de acordo com seu texto, era considerada pelos esquerdistas "a expressão da falsa consciência, manipulando as massas e afastando-as de seus reais desígnios".

Para ele, boa parte das críticas ao jornalismo contribuiu para que ele aprimorasse seus instrumentos de apuração e reduzisse as margens de erro e que, alguns, "sob o pretexto de defender uma imprensa propositiva, menos sensacionalista e mais objetiva, pretendem, de fato, é tê-la sob o cabresto dos interesses do estado, do governo ou de um partido".

O jornalista acredita que se a censura à imprensa não é aplicada, é porque não podem, e não porque não o queiram. E, como isso é impossível, intimidam a imprensa e a "mídia" passa a ser "demonizada como um antro de conspiradores". "Fingem que querem uma imprensa melhor. O que eles querem é imprensa nenhuma", diz o jornalista. E termina: "quanto aos exageros da liberdade de imprensa, vamos coibi-los. Com mais liberdade de imprensa".

Foto: Divulgação/Site Veja

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