Reinaldo Azevedo afirma que Xico Sá faz campanha eleitoral com saída da “Folha”

Azevedo responde Xico Sá, que pediu afastamento após sua coluna ser vetada na “Folha”. Para ele, o colega pratica “proselitismo ordinário”.

Atualizado em 14/10/2014 às 17:10, por Redação Portal IMPRENSA.

O afastamento do jornalista Xico Sá da Folha de S.Paulo não foi bem recebidapelos internautas. Nos assuntos do momento do Twitter, o nome do colunista figurava como um dos mais postados no microblog. Foi pela plataforma que o comunicador disparou contra a “imprensa burguesa” e discorreu sobre momentos da carreira em que teria sido obrigado a mentir.

Crédito:Luiz Murauskas Colunista responde ataque no Twitter em coluna na "Veja"
Em seu , Sá comentou a situação comparando-se ao colunista Reinaldo Azevedo: “Reinaldo é tido como neutro e eu que tenho que pedir demissão?”. No entanto, nesta terça-feira (14/10), Azevedo usou sua coluna na Veja para responder os ataques e disse ainda que o colega pratica “proselitismo ordinário” com as supostas acusações.
Ao responder as críticas de Xico Sá, o colunista Reinaldo Azevedo destaca que sempre teve uma postura de evitar confrontos e brigas motivadas por razões ideológicas, mas que se surpreendeu ao ver que o colega “envereda na estupidez” ao citá-lo para justificar sua saída da Folha . Segundo ele, o cronista tenta utilizá-lo como “bode expiatório”, que ele sabia das regras do jornal, destacando que não há neutralidade nas colunas do diário.
“Xico está fazendo campanha eleitoral. É um direito dele. Mas mentir é feio. Num outro tuíte, ele afirma que já foi obrigado a mentir como repórter. Lamento pelo mentiroso arrependido. Nunca fui repórter. Trabalhei em edição e lido hoje com colunismo. Nunca ninguém me obrigou a mentir. Xico mentiu por quê? Para comprar o leite das crianças? Não havia, então, um jeito honesto de ganhar a vida, rapaz? O jeito honesto é esse de hoje?”, rebateu Azevedo.
Quando atuou como coordenador de Política da Folha de S.Paulo, na década de 90, Azevedo teve em sua equipe o jornalista Xico Sá. Conforme conta na coluna, os dois tinham um bom relacionamento, e não havia nada que desabonasse a atuação de Sá na redação. ‘Xico mentiu, nós não ficamos sabendo. Mentiu para nós também. Fomos enganados por ele. Se mentiu, atendia a outros interesses, que não os do jornalismo, e nós todos — incluindo seus colegas — fomos vítimas de um trapaceiro”, afirma.
Ao discorrer sobre os momentos em que trabalhou ao lado do então repórter, ele destaca que a atitude do colunista aparenta ser apenas uma “embaixadinha para a torcida”. “Sei que me meter na briga, Xico, como você fez, rende barulho na rede. Mas tente ser intelectualmente honesto. Com algum esforço, você vai se lembrar como é”, disse.

Por fim, Azevedo acredita que Xico virou um “esquerdista antediluviano para consumo das redes sociais” e posa como vítima no caso. a coluna na íntegra.
Entenda o caso
O jornalista Xico Sá foi impedido de publicar um artigo, no caderno “Esporte”, da Folha de S.Paulo, em que declarava apoio à presidente Dilma Rousseff no último sábado (11/10). Neste dia, o cronista chamou a atenção dos leitores ao escrever uma série de mensagens criticando o que classificou de "imprensa burguesa" e ao revelar que teve de mentir como repórter pelo jornal. Por conta do episódio, ele pediu afastamento do jornal, por onde escreve materiais ao longo de duas décadas.
À IMPRENSA, o colunista esclareceu que pretende se dedicar mais aos livros e "tentar voltar a escrever melhor". "Não me julgo em um bom momento, o leitor merece essa minha parada", diz. Por sua vez, o editor-executivo da Folha de S.Paulo , Sérgio Dávila, afirmou que declarar voto em um dos candidatos à corrida presidencial fere a política do diário paulista, que reserva espaço na A3.
“Os colunistas devem evitar fazer proselitismo eleitoral em seus textos. Se quiserem, podem escrever artigo em que revelam seu voto e defendem candidatura na pág. A3 da Folha . Esta opção foi dada a Xico Sá, que recusou a oferta”, conclui Azevedo.