Regionalismo acadêmico, por José Marques de Melo
A comunidade acadêmica de ciências da comunicação guiou-se pelo reforço da identidade nacional no mapa da ciência e tecnologia. Os congresso
Atualizado em 02/06/2014 às 15:06, por
José Marques de Melo.
Crédito:Leo Garbin s anuais da INTERCOM funcionaram como termômetro dessa tendência. Dependendo da cidade-sede, o volume de participantes assustava os organizadores. Houve momentos em que ultrapassamos a cifra de cinco mil congressistas.
No último decênio, houve alteração nesse panorama. Os antigos Simpósios Regionais de Pesquisa em Comunicação que haviam assumido perfil localista, para não dizer bairrista, foram descontinuados. Em seu lugar, surgiram os Congressos Regionais.
A transição foi lenta, mas firme e bem planejada. A região despontou como variável significativa na pesquisa, sobretudo nos trabalhos laboratoriais. Quando a EXPOCOM – mostra da pesquisa experimental - adotou o princípio da equidade de participação, garantindo espaço para os melhores trabalhos de natureza geocultural, a premiação tornou-se mais sedutora.
Na verdade, a etapa regional motivou as equipes das cidades mais distanciadas do centro hegemônico. Todos querem mostrar as singularidades das respectivas culturas, exibir traços que tornam competitivos os signos divulgados. Querem contabilizar os troféus na melhoria do desempenho profissional, depois de formados.
Até o ano passado, o fluxo de participação tinha na dianteira aquilo que os “nortistas” (da Bahia ao Amazonas) rotulavam como “sul maravilha”! Mas os congressos de 2014 apresentam tendências surpreendentes, fazendo jus ao tema central: Guerra e Paz.
Colocando-se adiante do sudeste (Vila Velha – ES), as regiões norte e nordeste ultrapassaram o patamar de mil e quinhentos participantes, em Belém (PA) e João Pessoa (PB), cada uma. O Centro-Oeste vem crescendo modestamente; neste ano, Brasília atraiu cerca de meio milhar. Na dianteira esteve a região Sul; Palhoça (SC) reuniu uma cifra quatro vezes maior do que os pesquisadores inscritos em Águas Claras (MS).
A lógica da regionalização, nos encontros anuais da INTERCOM, é a de conter, sem impedir, o fluxo estudantil ao congresso nacional. O princípio funcionou bem nos congressos de Fortaleza (2012) e Manaus (2013), que acolheram contingente menor de inscritos. O grande teste será o congresso nacional de 2014, em setembro, em Foz do Iguaçu (PR).
A distância pode inibir a presença de congressistas residentes nas regiões afastadas, a não ser que os fatores turísticos sejam mais fortes...
No entanto, a presença bolivariana em Foz do Iguaçu pode incentivar a internacionalização evento. Rio de Janeiro (2015) e São Paulo (2016), próximas sedes, oferecem atrativos suficientes para os vizinhos mercosulinos, inclusive o uso do “portunhol” na comunicação interpares...
Jornalista, professor universitário, pesquisador científico, consultor acadêmico, autor de diversos livros, foi docente da ECA-USP e é atualmente o titular da Cátedra Unesco de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo (www.marquesdemelo.pro.br).
No último decênio, houve alteração nesse panorama. Os antigos Simpósios Regionais de Pesquisa em Comunicação que haviam assumido perfil localista, para não dizer bairrista, foram descontinuados. Em seu lugar, surgiram os Congressos Regionais.
A transição foi lenta, mas firme e bem planejada. A região despontou como variável significativa na pesquisa, sobretudo nos trabalhos laboratoriais. Quando a EXPOCOM – mostra da pesquisa experimental - adotou o princípio da equidade de participação, garantindo espaço para os melhores trabalhos de natureza geocultural, a premiação tornou-se mais sedutora.
Na verdade, a etapa regional motivou as equipes das cidades mais distanciadas do centro hegemônico. Todos querem mostrar as singularidades das respectivas culturas, exibir traços que tornam competitivos os signos divulgados. Querem contabilizar os troféus na melhoria do desempenho profissional, depois de formados.
Até o ano passado, o fluxo de participação tinha na dianteira aquilo que os “nortistas” (da Bahia ao Amazonas) rotulavam como “sul maravilha”! Mas os congressos de 2014 apresentam tendências surpreendentes, fazendo jus ao tema central: Guerra e Paz.
Colocando-se adiante do sudeste (Vila Velha – ES), as regiões norte e nordeste ultrapassaram o patamar de mil e quinhentos participantes, em Belém (PA) e João Pessoa (PB), cada uma. O Centro-Oeste vem crescendo modestamente; neste ano, Brasília atraiu cerca de meio milhar. Na dianteira esteve a região Sul; Palhoça (SC) reuniu uma cifra quatro vezes maior do que os pesquisadores inscritos em Águas Claras (MS).
A lógica da regionalização, nos encontros anuais da INTERCOM, é a de conter, sem impedir, o fluxo estudantil ao congresso nacional. O princípio funcionou bem nos congressos de Fortaleza (2012) e Manaus (2013), que acolheram contingente menor de inscritos. O grande teste será o congresso nacional de 2014, em setembro, em Foz do Iguaçu (PR).
A distância pode inibir a presença de congressistas residentes nas regiões afastadas, a não ser que os fatores turísticos sejam mais fortes...
No entanto, a presença bolivariana em Foz do Iguaçu pode incentivar a internacionalização evento. Rio de Janeiro (2015) e São Paulo (2016), próximas sedes, oferecem atrativos suficientes para os vizinhos mercosulinos, inclusive o uso do “portunhol” na comunicação interpares...
Jornalista, professor universitário, pesquisador científico, consultor acadêmico, autor de diversos livros, foi docente da ECA-USP e é atualmente o titular da Cátedra Unesco de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo (www.marquesdemelo.pro.br).





