Regional do SJSP em Campinas aponta aumento de 235% nas demissões em pesquisa informal

Regional do SJSP em Campinas aponta aumento de 235% nas demissões em pesquisa informal

Atualizado em 19/03/2010 às 17:03, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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Um estudo feito pela regional Campinas do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) sobre as homologações realizadas pela regional entre 2008 e 2009 aponta um crescimento de 235% na demissão de jornalistas. Apesar de representar 51 cidades, o escritório levou em conta apenas as os desligamentos ocorridos no município de Campinas.

Divulgação
Agildo Nogueira

Agildo Nogueira Junior, diretor da regional, explicou ao Portal IMPRENSA que as seis empresas jornalísticas existentes na cidade - Grupo RAC, Jornal Todo Dia , rádio CBN, TV Globo, SBT e Band (rádio e TV) - empregam cerca de 350 profissionais. Portanto, as 47 demissões ocorridas em 2009 representam mais de 10% do total de empregados. "É um número expressivo para a nossa realidade", diz Nogueira.

Em relação à 2008 - quando foram mandados embora 20 jornalistas - o número de demissões cresceu 235%. Analisando as homologações no período de 1999-2009, a regional percebeu que o ano de 2009 só pode ser comparado a 2000, quando o Brasil passou por uma crise econômica decorrente da crise cambial. "Considerando que, em 2009, o Brasil e o mundo passaram também por outra grave crise econômica, é possível considerar que tais momentos têm alto impacto no mercado de trabalho dos jornalistas", explica o diretor.

A regional analisou os segmentos Assessoria de Imprensa, Rádio e TV e Impresso, e constatou que o segmento de publicações impressas foi o mais afetado pela crise: no período, as demissões em jornais e revistas chegaram a 66%, ante 50% de Rádio e TV. Já em Assessoria de Imprensa foram 15% do total em 2008 e apenas 8,5% em 2009. Para Nogueira, isso pode indicar uma precarização nas contratações do setor.

Considerando o gênero, pôde-se perceber que em 2008, as demissões afetaram mais aos homens, enquanto em 2009, as mulheres foram maioria. No entanto, ao longo desses onze anos (1999-2009), foram realizadas mais rescisões de mulheres (63%) do que de homens.

Com relação à faixa etária, pode-se observar que, em 2008, a maioria das demissões ocorreu na faixa entre 35-44 anos. Já em 2009, as homologações atingiram trabalhadores com idade mais elevada, com mais de 60 anos de vida. Neste ano, a a faixa dos 45 anos para cima representou 57% do total.

Comparando-se nível salarial e segmento, no egmento Impresso houve, em 2009, uma demissão com salário próximo ao valor de meio piso de 5h. A faixa com maior frequência, em 2008 e 2009, é do piso de 7h.

O diretor deixa claro que, como se trata de um mapeamento inicial, o estudo não pretende elaborar nenhuma conclusão. "Mas foi possível constatar que é muito difícil encontrar quem receba mais que duas vezes o piso salarial. Isso indica ou precariedade de quem recebe acima, ou que o salário é muito achatado mesmo", afirmou.

Ele disse esperar que em 2010 o quadro melhore, já que a crise financeira mundial perdeu força. Até porque, uma questão muito preocupante apontada por Nogueira é a desistência da profissão. "Após as demissões, muitos preferem trabalhar em outras áreas", concluiu.

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