Regional do SJSP em Campinas aponta aumento de 235% nas demissões em pesquisa informal
Regional do SJSP em Campinas aponta aumento de 235% nas demissões em pesquisa informal
Um estudo feito pela regional Campinas do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) sobre as homologações realizadas pela regional entre 2008 e 2009 aponta um crescimento de 235% na demissão de jornalistas. Apesar de representar 51 cidades, o escritório levou em conta apenas as os desligamentos ocorridos no município de Campinas.
| Divulgação | |
| Agildo Nogueira |
Agildo Nogueira Junior, diretor da regional, explicou ao Portal IMPRENSA que as seis empresas jornalísticas existentes na cidade - Grupo RAC, Jornal Todo Dia , rádio CBN, TV Globo, SBT e Band (rádio e TV) - empregam cerca de 350 profissionais. Portanto, as 47 demissões ocorridas em 2009 representam mais de 10% do total de empregados. "É um número expressivo para a nossa realidade", diz Nogueira.
Em relação à 2008 - quando foram mandados embora 20 jornalistas - o número de demissões cresceu 235%. Analisando as homologações no período de 1999-2009, a regional percebeu que o ano de 2009 só pode ser comparado a 2000, quando o Brasil passou por uma crise econômica decorrente da crise cambial. "Considerando que, em 2009, o Brasil e o mundo passaram também por outra grave crise econômica, é possível considerar que tais momentos têm alto impacto no mercado de trabalho dos jornalistas", explica o diretor.
A regional analisou os segmentos Assessoria de Imprensa, Rádio e TV e Impresso, e constatou que o segmento de publicações impressas foi o mais afetado pela crise: no período, as demissões em jornais e revistas chegaram a 66%, ante 50% de Rádio e TV. Já em Assessoria de Imprensa foram 15% do total em 2008 e apenas 8,5% em 2009. Para Nogueira, isso pode indicar uma precarização nas contratações do setor.
Considerando o gênero, pôde-se perceber que em 2008, as demissões afetaram mais aos homens, enquanto em 2009, as mulheres foram maioria. No entanto, ao longo desses onze anos (1999-2009), foram realizadas mais rescisões de mulheres (63%) do que de homens.
Com relação à faixa etária, pode-se observar que, em 2008, a maioria das demissões ocorreu na faixa entre 35-44 anos. Já em 2009, as homologações atingiram trabalhadores com idade mais elevada, com mais de 60 anos de vida. Neste ano, a a faixa dos 45 anos para cima representou 57% do total.
Comparando-se nível salarial e segmento, no egmento Impresso houve, em 2009, uma demissão com salário próximo ao valor de meio piso de 5h. A faixa com maior frequência, em 2008 e 2009, é do piso de 7h.
O diretor deixa claro que, como se trata de um mapeamento inicial, o estudo não pretende elaborar nenhuma conclusão. "Mas foi possível constatar que é muito difícil encontrar quem receba mais que duas vezes o piso salarial. Isso indica ou precariedade de quem recebe acima, ou que o salário é muito achatado mesmo", afirmou.
Ele disse esperar que em 2010 o quadro melhore, já que a crise financeira mundial perdeu força. Até porque, uma questão muito preocupante apontada por Nogueira é a desistência da profissão. "Após as demissões, muitos preferem trabalhar em outras áreas", concluiu.
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