“Redução de custos e novos modelos revolucionaram nossa marca”, diz Greenspon

Na abertura do 9º Congresso Brasileiro de Jornais, que acontece nesta segunda (20/8) e terça (21/8), em São Paulo, Michael Greenspon, gerente geral da divisão “News Service” do The New York Times, relatou aos convidados do evento os desafios encontrados pelo jornal estadunidense para reencontrar um modelo sustentável.

Atualizado em 20/08/2012 às 09:08, por Luiz Gustavo Pacete.


Greenspon destacou que tem observado em todo o mundo os desafios dos jornais em reimaginar a forma como a notícia é entregue. “Queremos que as pessoas estejam muito bem informadas, mas que nossos modelos sejam sustentáveis. Muitas organizações estão tentando encontrar como fazer isso e outras buscando sua identidade.”

Michael Greenspon O executivo lembra que no NYT baseou-se em quatro pilares que sustentam o novo modelo do jornal, como engajamento social, conteúdo em vídeo, móvel e internacional. “Mas antes de fazermos investimentos nessas áreas tivemos que reequilibrar nossos negócios. Redução de custos e novos modelos de assinatura. Juntas elas revolucionaram nosso modelo”,
Greenspon explicou que, como toda reestruturação de processos, decisões dolorosas foram envolvidas. Entre elas, demissões numerosas. “Tivemos que reduzir nossa operação de impresso em milhões de dólares, muitos colegas ficaram sem emprego. Fechamos uma gráfica, terceirizamos entregas e aceitamos anúncio na primeira página”.
Modelo paywall
Após o difícil processo de redução de custos e o início da cobrança pelo conteúdo digital, conhecido como “paywall”, Greenspon é categórico ao dizer que a cobrança pelo conteúdo deveria ter sido iniciada antes. “40% da nossa audiência dizia que estava disposta a pagar por algo. E um ano depois da cobrança, nosso modelo de assinatura digital se provou transformativo”.
Greenspon ressaltou que, apesar da mudança de modelo econômico, as primícias básicas do bom jornalismo devem ser mantidas. “Existe hoje uma tendência de que muitas organizações se retiraram do negócio caro e difícil da reportagem in loco. Nós não fizemos isso e não iremos fazer. O jornalismo de qualidade é importante e deve ser mantido”.
Desafio brasileiro
A presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) Judith Brito destacou na abertura que a escolha do tema para a edição deste ano “Jornalismo e Inovação” reflete o que a ANJ entende como sendo a grande questão do setor no momento.
“As inovações e mídias digitais estão revolucionando o jornalismo e multiplicando a audiência. Por isso, é preciso buscar novos modelos que possibilitem a produção de informação de qualidade, bem tão precioso das democracias”, destacou Judith.
A presidente ressaltou também que o futuro dos jornais se baseia em novos modelos e não apenas em um. “A programação do evento foi definida em novos modelos no plural. Não apenas em um único modelo. Diferentes caminhos, simultâneos e paralelos serão necessários”.
Judith destacou também que o modelo impresso consagrado adotado pelos jornais até então, dificilmente se repetira nos modelos digitais.
O evento que tem como objetivo discutir a construção de novos modelos de negócios acontece em meio à adesão de grandes periódicos nacionais como a Folha de S.Paulo e a Zero Hora ao modelo “paywall” que cobra por parte do conteúdo disponível também na internet.