Rede Record e a lenda do "Big Brother"

Rede Record e a lenda do "Big Brother"

Atualizado em 11/10/2005 às 13:10, por Pedro Venceslau e  da redação.

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Uma lenda urbana paira sobre os corredores da Rede Record. Não é de hoje que ex-funcionários e fontes secretas ainda empregadas na casa reclamam que a emissora patrulha como um "Big Brother" todos os passos de seus funcionários. Certa vez, ouvi de uma jornalista que os motoristas da emissora são todos ligados à Igreja Universal. E ficam de olho em tudo, para depois fazer um "relatório". Será?

Essa lenda urbana ganhou força hoje (11/10), com uma nota publicada na coluna do jornalista Daniel Castro, da Folha de S.Paulo .
Seguem palavras de Castro: "Aumentou o número de pessoas ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus espionando o trabalho de profissionais da Record... Na semana passada, a direção da emissora mandou retirar as cortinas das divisórias de vidro das produções de programas da rede. Motivo: facilitar a vida dos apontadores".

Até onde podemos acreditar na veracidade desta história? Difícil saber. Estive várias vezes na sede da Record, em São Paulo. Câmeras de fato existem nos corredores, como em qualquer empresa. Funcionários fiéis à Universal, também. Sobretudo faxineiros, motoristas, técnicos. Gente simples, recrutada durante o culto. Seriam espiões? Censores? Pura especulação. "Dentro das salas e camarins não existem microfones escondidos, nem câmeras. Isso eu posso garantir. E sobre as "cortinas" supostamente retiradas das divisórias: na minha sala não tem cortina, tem persiana. E estão todas fechadas", conta uma fonte.

Censura , paranóia ou boato

Na base, no chão de fábrica, cheira a teoria conspiratória: a tese de que fiéis foram escalados para bisbilhotar a vida alheia. Elocubrações à parte, é fato que no alto da pirâmide é cada vez maior a influência da Igreja Universal nas grandes decisões da emissora, inclusive as editoriais. O atual presidente, Alexandre Raposo, um prodígio de apenas 30 e poucos anos, não perde um culto. Sua nomeação rompeu com o projeto de nomear especialistas do mercado sem ligação com a Igreja. O mesmo vale para o também prodígio Douglas Tavolaro, substituto de Luiz Gonzaga Mineiro no comando do jornalismo.

Essa mudança no organograma da Record, porém, não significa que tenha sido instalada uma caça às bruxas de cima para baixo. Membros do alto escalão da Record acreditam que boa parte das lendas sobre censura partem de produtores que querem ser mais realistas que o rei, e acabam trocando os pés pelas mãos. Foi o que aconteceu no célebre caso do suposto veto à execução da música "Poeira", de Ivete Sangalo, que faz referências ao cadomblé.