Radioweb consolida distribuição de conteúdo para duas mil emissoras
A Radioweb - pioneira na distribuição de conteúdo de rádio no país - nasceu em 23 de agosto de 2001. Sua criação foi resultado da união de quatro jovens radialistas: Paulo Gilvane Borges, Caroline Mello, Daniela Madeira e Juliana Turatti, que após trabalharem na cobertura do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, perceberam uma demanda por parte de rádios do interior do Rio Grande do Sul.
Atualizado em 23/08/2011 às 11:08, por
Luiz Gustavo Pacete.
Na ocasião, os radialistas montaram uma pequena estrutura com o objetivo de oferecer o material produzido no evento para rádios do interior gaúcho. "Eu fiz este trabalho no meu período de férias da Rádio Gaúcha e quando terminamos a cobertura tínhamos 80 rádios usando o conteúdo que produzimos", diz Paulo Gilvane, sócio-diretor da Radioweb.
Divulgação Equipe da Radioweb em São Paulo Por meio de um trabalho artesanal e com tecnologia precária, o grupo ligava para as rádios e oferecia o material gratuitamente; se aceito, enviavam via telefone. "A partir daquele momento, percebi que poderíamos desenvolver o projeto. Passei a trabalhar meio turno e dedicar meu tempo à agência. Neste momento, identificamos que a internet seria a grande ferramenta de entrega do conteúdo, apesar de inicialmente ela quase não ser usada por nós, tudo ainda era feito por telefone", conta.
Gilvane deixou definitivamente o rádio e passou a dedicar-se totalmente ao projeto. A ideia básica e inicial era produzir conteúdo de áudio e distribuí-lo para as emissoras do interior. "O problema naquele momento foi identificar que a agência que levava web no nome era tudo, menos web, pois as rádios não tinham estrutura para receber os arquivos digitais. Então, continuamos por um bom tempo passando as matérias via telefone", lembra. Gilvane recorda que banda larga naquela época era privilégio de poucos, e mesmo internet discada era difícil.
Em 2003, 90% das rádios ainda recebiam as matérias por telefone, o que para a empresa gerava grande custo. Eles literalmente pagavam para trabalhar. "A realidade de banda larga naquela época era quase nula, as rádios contavam com conexão discada. Neste ano, a telefonia começou a ficar acessível e ai as coisas melhoraram", destaca.
Com melhorias na estrutura de telecomunicações do país a empresa definitivamente passou a operar no azul. No final de 2003, com 150 rádios parceiras a agência pode enfim eliminar o telefone e operar somente pela internet. O número de adesão das rádios foi crescendo e por meio de uma pesquisa a agência identificou que as emissoras queriam conteúdo que fosse além do Rio Grande do Sul, o jeito foi expandir levando a empresa até Brasília em 2004, na chegada à capital a Radioweb já atendia 1.100 rádios.
Modelo de negócios
Gilvane explica que atualmente a distribuição das matérias é feita de forma gratuita para as rádios e a estrutura de negócio da agência consiste em três frentes: a primeira é a inserção de publicidade, em segundo lugar o cliente que quer produzir conteúdo próprio e em terceiro, projetos especiais. Tudo mapeado por meio de um relatório que mostra quais rádios baixaram os conteúdos e diversos outros detalhes do caminho percorrido pelo arquivo.
Hoje, a marca Radioweb ultrapassa duas mil rádios e, em 2010, também chegou a São Paulo. Desde o começo do mês a emissora ganhou a licitação da Rádio Justiça e montou uma nova unidade em Brasília, com 37 profissionais. Hoje, Gilvane destaca que o negócio deu certo em função do formato que consiste em entregar o conteúdo para rádios de toda parte do Brasil e até do exterior. "Na verdade nós não fazemos conteúdo da internet, fazemos conteúdo de rádio e distribuímos pela internet", esclarece.
Gilvane fala sobre a Radioweb e o rádio no Brasil:
Portal IMPRENSA - Como diferenciar conteúdo jornalístico e comercial? Paulo Gilvane - Temos um gerente de jornalismo e uma coordenadora em Porto Alegre, normalmente o repórter e responsável por um cliente tem um boletim por semana para aquele cliente e também vai ser pautado para o hard news. Então ele vai organizar seu trabalho para fazer a cobertura trivial e atender os clientes. Isso funciona em São Paulo, Brasília e Porto Alegre. Hoje 75% das matérias que vão ao ar são de hard news puro, o restante é de projetos especiais assinados por clientes.
IMPRENSA - Qual o desafio para estabelecer o modelo e os nichos a serem explorados? Gilvane - O que estamos fazendo agora é montar uma rede de rádios ao vivo, vamos criar um programa diário de trinta minutos diariamente às sete horas da manhã. Já temos 105 rádios interessadas em entrar em rede conosco via internet e via satélite.
IMPRENSA - Como o modelo da agência é recebido no meio jornalístico? Gilvane - O que muda nossa relação é o formato. Não somos uma empresa de mídia, somos uma empresa de produção, Para nós isso é muito claro e as rádios sabem disso. Inclusive está estabelecido em um termo de contrato. Além de agregarmos financeiramente para as emissoras, contribuímos editorialmente. Já sofremos mais com isso no início, muitas vezes as pessoas misturavam as coisas, mas vejo que grandes redes fazem especiais sobre saúde e depois veicula uma campanha do ministério da Saúde. Então não venha me dizer que as outras empresas não fazem conteúdo pensando em estratégias comerciais.
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