Rádio Intercom, por José Marques de Melo

A sensação do Intercom 2015 foi o espetáculo perfilado por um tipo de comunicação experimental que surpreendeu flamengos, cariocas e visitantes.

Atualizado em 04/11/2015 às 14:11, por José Marques de Melo.


Produto da versatilidade e simpatia, bem como da liderança exercida pela professora Nair Prata (UFOP), a Rádio Intercom preencheu lacuna na dinâmica da nossa comunidade acadêmica. Cerca de cinco mil pesquisadores deslocam-se, a cada ano, das cidades onde vivem para ouvir conferências, assistir a palestras, monitorar oficinas, apresentar e debater resultados de pesquisas recentes. Comparecem também aos colóquios onde respeitáveis mestres discorrem sobre temas da atualidade e jovens doutores divulgam hipóteses que esperam confirmar nos estudos de campo.


Trata-se de avanços cognitivos que nutrem as profissões midiáticas. Contudo, seu alcance se restringia seletivamente aos privilegiados que poupam recursos para viajar e dialogar com os cientistas de renome. A Rádio Intercom começou a mudar o panorama, cobrindo os principais eventos e desvendando os bastidores do encontro. Mais de cem voluntários, aprendizes de jornalismo utilitário, furaram o cerco que aparentemente protege os famosos, satisfazendo a curiosidade dos que participaram do congresso sem sair de casa.


Laboratório de webmídia, acionado por jovens empresários que triunfaram no mercado depois de vivenciar o ambiente competitivo da Expocom/Sudeste, a Rádio Intercom pretende incentivar o empreendedorismo dos futuros jornalistas, radialistas ou publicitários. O baixo custo da experiência animou seus organizadores a levar adiante a iniciativa, pleiteando sua inclusão na proposta do congresso Intercom 2016, a ser organizado em São Paulo, integrando a festa de celebração dos 50 anos de fundação da ECA-USP.


Enquanto isso, Nair Prata se retempera academicamente em Barcelona, realizando estágio pós-doutoral a que tem direito por mérito próprio, depois de conquistar o Prêmio Luiz Beltrão de Liderança Emergente e de ter contribuído para que a microcomunidade a que pertence – o Grupo Comunicacional de Ouro Preto (MG) – fosse agraciado, neste ano, com o Prêmio Luiz Beltrão de Grupo Inovador.


Todavia, o que mais vem projetando Nair Prata no universo comunicacional contemporâneo é o seu altruísmo. Plenamente comprovado pelo resgate da pioneira do radicalismo no Brasil. Assim sendo, a pernambucana Zita sai da penumbra em que se encontrava historicamente como simples esposa de Luiz Beltrão. Pelas mãos de Nair, ela passa a figurar como Maria José de Andrade Lima, a primeira mulher a defender tese de pós-graduação em radialismo no Brasil.