Rádio Guaíba transmite relato de uruguaios seqüestrados durante o regime militar no BR

Rádio Guaíba transmite relato de uruguaios seqüestrados durante o regime militar no BR

Atualizado em 12/11/2008 às 14:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Nesta quarta-feira (12), o Fórum Espaço Aberto Especial recebe os dois uruguaios seqüestrados em Porto Alegre pelo antigo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) durante o Regime Militar. Universindo Díaz e Lílian Celiberti falam sobre sua militância, sua experiência com os órgãos de repressão política no Brasil e Uruguai e como isso afetou suas vidas.

Também participam do programa dois jornalistas que fizeram a cobertura do caso: Anilson Costa, na época repórter do Correio do Povo, e Elmar Bones, editor do Coojornal. Bones atualmente edita o Jornal Já.

O Fórum Espaço Aberto Especial será transmitido pela Rádio Guaíba AM das 13h15 às 14h30, direto da Casa da Record na 54ª Feira do Livro. A apresentação é de Gustavo Mota, com produção de Bianca Zuchetto.

Em novembro de 1978, Díaz e Lílian, militantes de esquerda residentes na capital gaúcha, foram presos, torturados e mandados de volta ao país natal, onde cumpriram cinco anos de prisão. Participaram do seqüestro policiais do Brasil e do Uruguai, em uma colaboração no âmbito da Operação Condor.

A operação ilegal fracassou quando dois jornalistas brasileiros, alertados por um telefonema anônimo, foram ao apartamento onde o casal morava, no bairro do Menino Deus. Confundidos com companheiros dos uruguaios, os jornalistas foram recebidos por homens armados, que mantinham Lílian prisioneira. Díaz e os dois filhos do casal já tinham sido levados clandestinamente para o Uruguai. A inesperada aparição dos jornalistas quebrou o sigilo da operação, que foi desmontada às pressas para levar Lílian também a Montevidéu.

A publicidade do assunto evitou que os seqüestrados fossem mortos. A denúncia, que ganhou as manchetes da imprensa brasileira, se transformou num escândalo internacional que constrangeu os regimes militares do Brasil e do Uruguai. As duas crianças foram entregues, dias depois, aos avós. Com a democratização uruguaia, em 1984, o casal foi libertado e confirmou os detalhes do seqüestro.