Rádio de Burundi estaria divulgando notícias falsas para incentivar violência no país
Rádio de Burundi estaria divulgando notícias falsas para incentivar violência no país
A emissora de rádio Rema FM, de Burundi, África, tem usado sua programação para fazer "jogos políticos", divulgando nomes de candidatos de oposição e seus partidos e veiculando notícias falsas, comparando opositores ao esquadrão da morte que assassinou Melchior Ndadaye, primeiro presidente eleito democraticamente no país há 15 anos atrás. O objetivo seria o de incitar seus ouvintes a realizarem atos de violência no país, em prol do governo do país.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo , a rádio já foi comparada a uma outra, a Milles Collines, de Ruanda, que teve papel fundamental no genocídio ocorrido no país. Vice-presidente do Fórum para o Reforço da Sociedade Civil, Justine Nkurunziza declarou: "Para os burundineses, ainda é perigoso falar sobre os assassinos de Ndadaye. Muitos burundineses são hutus, e Ndadaye é um herói. Quem luta contra ele é inimigo da democracia", explicou Justine.
Burundi enfrentou uma guerra civil em 1993, considerada uma das mais sangrentas da história. Junto com sua vizinha, Ruanda, abriga uma população separada por etnias, sendo a maioria hutu e a minoria tutsi. Mais de 1 milhão de pessoas foram mortas nos confrontos étnicos, e a Frente Patriótica de Ruanda (FPR) havia acusado os radicais hutus de terem abatido o avião que matou o presidente ruandês Juvenal Habyarimana e o burundinês, Cyprien Ntaryamira.
Outro que mostra grande preocupação com a tendência seguida pela Rema FM é o porta-voz das Nações Unidas no Burundi, Amadou Ousmane. Para ele, as campanhas da emissora estão "cada vez mais agressivas". A rádio também estaria divulgando rumores de que o líder da oposição, Alexis Sinduhije, estaria distribuindo dinheiro e combustível aos seus eleitores para incentivá-los a atear fogo em centrais do partido governista.
Até o momento, equipes de monitoramente das Nações Unidas estão acompanhando a cobertura da mídia em Burundi, após centrais do partido governista terem sido incendiadas. Alguns burudinenses acreditam que a Rema FM tenha laços com o governo do país, que estaria sabotando a si mesmo para colocar a culpa na oposição.
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