Rachel presidente, Reinaldo vice, por Gabriel Priolli
Vai ficando difícil para a imprensa brasileira negar o partidarismo de que é acusada, pelos setores sociais que apoiam os governos petistas.
Atualizado em 22/05/2015 às 18:05, por
Gabriel Priolli.
Crédito:Leo Garbin Em geral, seu argumento é o de Millôr Fernandes, de que “imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”. Ou o de George Orwell de que “jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique; todo o resto é publicidade”. A postura crítica ao governo federal, portanto, não seria alinhamento à oposição partidária, mas dever de ofício, compulsório, de fiscalizar o poder.
Se o ânimo da imprensa não é partidário, entretanto, o que ela produz em parte do público, inegavelmente, é. Mas, ao contrário do que supõe o governismo, não é o PSDB o partido-guia dessa gente, embora desaguem nele, à falta de melhor opção, os votos antipetistas nas eleições.
Pesquisa feita em São Paulo, com manifestantes do ato contra Dilma Rousseff e o PT em 12 de abril, indica que está aglutinada a base social de um partido ultraconservador, apenas esperando que ele se formalize. E que essa força política, ainda desorganizada, não se orienta pelas agremiações existentes.
Os professores Pablo Ortellado (USP) e Esther Solano (Unifesp) apuraram na Avenida Paulista que 85% dos manifestantes concordam que os desvios da Petrobras são o maior caso de corrupção da história do Brasil. 70,9% avaliam que as cotas raciais geram mais racismo. 60,4% acreditam que a Bolsa Família financia preguiçosos. E 64,1% julgam que o PT quer implementar uma ditadura comunista no Brasil.
Não foi com veículos de esquerda, certamente, que os manifestantes amadureceram essas convicções. E mesmo vocalizadas por políticos da atual oposição de centro-direita, não dão frutos a eles. O PSDB é considerado pouco confiável por 41,4% e não confiável por 47,6%. Outros 61,1% não confiam na rede de Marina Silva. Aécio tem a confiança de apenas 22,6%. Geraldo Alckmin, o melhor avaliado nesse quesito, obtém 29,1%. Até Jair Bolsonaro pena nos índices, com meros 19,4%.
Quem lidera, então, a massa indignada dessa elite paulistana (72,8% com renda superior a R$ 3.940 mensais; 48% acima de R$ 7.780), que não difere muito em outras partes do país? Revoltados On Line? Vem Pra Rua? Movimento Brasil Livre? Não, exatamente. Segundo a pesquisa, 51,8% “confiam muito” na revista Veja. 39,6% têm Reinaldo Azevedo como seu principal formador de opinião. E 49,4% seguem Rachel Sheherazade.
Eis aqui, portanto, uma saída para a imprensa em crise, que vem fechando veículos e oferecendo pencas de jornalistas às garras do passaralho: constituir, de fato, um “PIG”. Não lhe faltará um claro programa de ação, nem figuras de proa. Não faltará, muito menos, apoio financeiro e eleitoral. E, talvez o melhor de tudo, ninguém mais precisará velar o defunto mal cheiroso da isenção.
foi editor executivo e diretor de redação de IMPRENSA entre 1987 e 1991. Hoje é produtor independente de TV e consultor em comunicação política.
Se o ânimo da imprensa não é partidário, entretanto, o que ela produz em parte do público, inegavelmente, é. Mas, ao contrário do que supõe o governismo, não é o PSDB o partido-guia dessa gente, embora desaguem nele, à falta de melhor opção, os votos antipetistas nas eleições.
Pesquisa feita em São Paulo, com manifestantes do ato contra Dilma Rousseff e o PT em 12 de abril, indica que está aglutinada a base social de um partido ultraconservador, apenas esperando que ele se formalize. E que essa força política, ainda desorganizada, não se orienta pelas agremiações existentes.
Os professores Pablo Ortellado (USP) e Esther Solano (Unifesp) apuraram na Avenida Paulista que 85% dos manifestantes concordam que os desvios da Petrobras são o maior caso de corrupção da história do Brasil. 70,9% avaliam que as cotas raciais geram mais racismo. 60,4% acreditam que a Bolsa Família financia preguiçosos. E 64,1% julgam que o PT quer implementar uma ditadura comunista no Brasil.
Não foi com veículos de esquerda, certamente, que os manifestantes amadureceram essas convicções. E mesmo vocalizadas por políticos da atual oposição de centro-direita, não dão frutos a eles. O PSDB é considerado pouco confiável por 41,4% e não confiável por 47,6%. Outros 61,1% não confiam na rede de Marina Silva. Aécio tem a confiança de apenas 22,6%. Geraldo Alckmin, o melhor avaliado nesse quesito, obtém 29,1%. Até Jair Bolsonaro pena nos índices, com meros 19,4%.
Quem lidera, então, a massa indignada dessa elite paulistana (72,8% com renda superior a R$ 3.940 mensais; 48% acima de R$ 7.780), que não difere muito em outras partes do país? Revoltados On Line? Vem Pra Rua? Movimento Brasil Livre? Não, exatamente. Segundo a pesquisa, 51,8% “confiam muito” na revista Veja. 39,6% têm Reinaldo Azevedo como seu principal formador de opinião. E 49,4% seguem Rachel Sheherazade.
Eis aqui, portanto, uma saída para a imprensa em crise, que vem fechando veículos e oferecendo pencas de jornalistas às garras do passaralho: constituir, de fato, um “PIG”. Não lhe faltará um claro programa de ação, nem figuras de proa. Não faltará, muito menos, apoio financeiro e eleitoral. E, talvez o melhor de tudo, ninguém mais precisará velar o defunto mal cheiroso da isenção.
foi editor executivo e diretor de redação de IMPRENSA entre 1987 e 1991. Hoje é produtor independente de TV e consultor em comunicação política.





