“Quero viver esses dois amores: o jornalismo e a literatura”, diz Miriam Leitão sobre poesia

O talento da jornalista Miriam Leitão para a escrita não é nenhuma novidade. Basta considerar sua respeitada carreira como colunista de O Gl

Atualizado em 06/05/2013 às 16:05, por Guilherme Sardas.


Crédito:Flávio R. Guarnieri Miriam Leitão

obo , função esta que a levou ao seu primeiro livro, “Convém Sonhar” [2010, ed. Record], uma coletânea de seus artigos no diário carioca.


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Em 2011, Miriam lançou “Saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda” (ed. Record), sua estreia no gênero livro-reportagem. O resultado não poderia ter sido melhor. A obra levou um duplo Prêmio Jabuti ano passado: por melhor livro de não ficção e melhor livro do ano.


A jornalista dá agora mais um passo no terreno da escrita. Acaba de estrear na carreira poética. Três poemas seus serão publicados na revista literária italiana In Limine , em português e em italiano, com tradução do editor Fabio Pierangeli.


É a primeira vez que publica alguns dos mais de 100 textos poéticos que guarda na gaveta (e no computador). Sem contar o material que, literalmente, jogou fora. “É um hábito que tive a vida inteira. Fazia e, depois, jogava fora. Até que meu marido [Sérgio Abranches, cientista político e escritor] começou a falar para eu guardar”.


A ideia de publicar em um veículo especializado veio de sua agente literária, . “A Luciana gostou dos textos que eu mostrei a ela. Foi ela quem teve a ideia da publicação. O mérito é todo dela.”


Em bate-papo com IMPRENSA, Miriam fala de sua paixão pela poesia, seus poetas preferidos e comenta que ficou sabendo da publicação pouco antes de entrar ao ar no “Bom dia, Brasil”, pela coluna do colega de O Globo , Ancelmo Gois.


IMPRENSA – Quando você começou a escrever poesia?

MIRIAM LEITÃO - Tive este hábito a vida inteira. Como nós, jornalistas, trabalhamos com a palavra, entendia a escrita como uma espécie de exercício, como quando você pega uma faca e passa na pedra para amolar. Passava alguns textos às pessoas à minha volta, que diziam que era bons. Mas, eram pessoas da família, amigos. Acho que muita gente faz isso. Mineiro é muito de poetar. Até que meu marido, Sérgio Abranches, começou a brigar comigo porque, depois de certo tempo, eu simplesmente jogava os textos fora. Fazia e apagava os arquivos. Ele começou a dizer que eu tinha que guardar. E eu fui guardando. Nunca contei, pois não sou muito organizada para isso, mas tenho mais de 100.


Como surgiu a ideia da publicação?

Dia desses, mandei um desses textos para a minha agente literária, a Luciana Villas-Boas. Aí ela falou: “Isso é bom. Você tem mais?” Eu disse que tinha muita coisa. Recentemente, ela me pediu que eu lhe enviasse algumas dessas poesias para ver se publicava em algum lugar. A Luciana pegou os poemas e não falou mais nada. E eu fiquei sabendo desta publicação [na revista In Limine ] hoje [na última sexta-feira] pelo jornal. Foi curioso. Entrei no estúdio e o Chico Pinheiro comentou sobre isso [a publicação]. Eu ainda não tinha lido a coluna do Ancelmo [Gois]. Eu disse: “Poema na Itália? O que é isso? (risos)” Aí a Renata [Vasconcellos] disse: 'Está aqui, na coluna do Ancelmo'. Aí eu li (risos). Foi um pouquinho antes de o jornal ir para o ar.


Quais são seus poetas preferidos, daqui e de fora do Brasil?

Gosto de muita coisa no Brasil. Amo Drummond, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, apesar de eles terem estilos diferentes. Gosto de T.S. Eliot, Ezra Pound, apesar de Ezra Pound ter um estilo completamente diferente. Sempre li muita poesia e leio regularmente. Esses dias tenho relido João Cabral, mas Drummond jamais saiu da minha cabeceira.


Poderia dar um exemplo dos temas da sua poesia?

Uma das poesias que mandei para a Luciana, e ela se animou, chama-se “Livraria”. É sobre a minha paixão pelos livros. O “ making of ” do poema é engraçado. Eu estava lendo um relatório dificílimo. Aí no meio da leitura, dei uma saída, fui a uma livraria. Abri um livro aqui, um romance, um livro de poesia, comecei a ler uns pedaços dos livros. E escrevi sobre isso.


Você já planeja publicar um livro de poesia?

Tenho conversado com a Luciana, temos vários projetos. Ela me animou a tirar coisas da gaveta. Esse ano vou publicar dois livros infantis. No ano que vem, mais um infantil. Eram textos que eu já tinha escrito, por vontade de escrever. Ela [a Luciana Villas-Boas] achou bons, e eu fechei contrato com a editora Rocco, para estes três infantis. Para falar a verdade, estou muito feliz mesmo com essa fase da minha vida. Quero viver esses dois amores. Não é um afastamento do jornalismo. Sempre amei o jornalismo e sempre amei secretamente a literatura. Sempre produzi coisas que não mostrava ou que não deixava extravasar. Agora, vou ficar entre os livros e os jornais.