“Quero participar da interação da Academia com a sociedade”, diz Zuenir Ventura
Jornalista recebeu 35 dos 37 votos possíveis e foi escolhido para a ABL logo na primeira votação
Atualizado em 19/11/2014 às 14:11, por
Alana Rodrigues*.
"Carpe diem significa 'aproveite o dia de hoje', não deixe passar as oportunidades de prazer e gozo que lhe são oferecidas aqui e agora". O trecho extraído da crônica "Amar o Transitório", de 2011, está presente até hoje na vida do jornalista e escritor Zuenir Ventura, que celebra sua entrada para a Academia Brasileira de Letras (ABL).
Crédito:Agência Brasil Imortal quer participar de atividades da ABL com a sociedade
Aos 83 anos, o . Olga Savary e o poeta Thiago de Mello, que concorriam à mesma vaga, receberam um voto cada. Ventura ocupará a Cadeira 32, que pertencia a Ariano Suassuna, morto em julho deste ano. “Foi uma das minhas maiores alegrias, pois nunca havia sido eleito nem para síndico de prédio”, brinca.
Colunista do jornal O Globo , Ventura ingressou no jornalismo como arquivista em 1956. Passou pelas redações da Editora Abril, como Veja , e também publicou no Jornal do Brasil . É autor dos livros "1968 - o ano que não terminou" e "Cidade Partida", além de acumular prêmios como Esso de Jornalismo, Jabuti e Vladimir Herzog.
À IMPRENSA, Zuenir Ventura falou sobre a surpresa ao ser eleito para a Academia, o papel dela na sociedade, sua incursão no romance, os rumos do jornalismo atual e seus futuros projetos.
IMPRENSA: Como se sentiu ao ser eleito para a ABL? Zuenir Ventura: Embora houvesse indicações de que eu seria eleito, foi uma grande surpresa. Eu tinha expectativa, sobretudo, esperança, mas é algo inesperado. Fiquei muito honrado. Foi uma votação muito expressiva e é uma emoção muito grande ser reconhecido pelos seus pares. Foi uma das minhas maiores alegrias, pois nunca havia sido eleito nem para síndico de prédio (risos).
Como avalia a atuação da Academia na sociedade? A Academia hoje está muito aberta à sociedade. Ela realmente promove uma interação muito grande por meio de cursos, palestras, revistas guiadas de estudantes. É uma instituição cultural muito democrática e ligada à sociedade. Não é elitista.
Há um espaço considerável para os jornalistas? Passaram pela academia grandes jornalistas. Então, também é uma grande responsabilidade para mim. Hoje, mesmo, tem um número grande de profissionais. Recentemente, entrou o Ferreira Gullar. Há nomes como Arnaldo Niskier, Cícero Sandroni, Ana Maria Machado, e muitos outros. A ABL tem uma participação expressiva da imprensa.
Depois da ABL, há algo que o senhor planeja fazer? Quero participar da interação da Academia com a sociedade. Principalmente desse ciclo de cursos e debates que eles preparam. Também estou num projeto, este fora da ABL. É um musical sobre a velhice, junto com o Luiz Fernando Verissimo e o Ziraldo. Vai estrear ano que vem. O problema é que a gente não sabe o que é velhice (risos). Ainda precisamos acertar os detalhes, como o elenco.
O senhor marcou estreia na ficção há dois anos, com "Sagrada Família". Como foi se dedicar à literatura? Foi uma experiência curiosa. A primeira sensação que eu tive ao escrever foi de liberdade. Eu descobri que poderia mentir. No jornalismo sempre temos de apurar, checar, e escrever o mais próximo possível da realidade. Já na ficção, quanto mais você mente, melhor fica.
Recentemente, em especial após as eleições, discute-se a regulação da mídia. Como o senhor avalia isso? Com vários nomes e uma série de eufemismos, houve sempre uma tentativa do poder de regulamentar a mídia, ou seja, de controlar a mídia de fato. A imprensa é naturalmente pura oposição. Tem que fiscalizar, ser chata e não pode ser chapa branca. E o poder não gosta de oposição da imprensa. Eu desconfio de todas essas tentativas que no fundo é controle da liberdade de expressão. Isso é terrível. Já vivemos durante duas décadas e não afeta só o jornalista, mas o leitor.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.
Crédito:Agência Brasil Imortal quer participar de atividades da ABL com a sociedade
Aos 83 anos, o . Olga Savary e o poeta Thiago de Mello, que concorriam à mesma vaga, receberam um voto cada. Ventura ocupará a Cadeira 32, que pertencia a Ariano Suassuna, morto em julho deste ano. “Foi uma das minhas maiores alegrias, pois nunca havia sido eleito nem para síndico de prédio”, brinca.
Colunista do jornal O Globo , Ventura ingressou no jornalismo como arquivista em 1956. Passou pelas redações da Editora Abril, como Veja , e também publicou no Jornal do Brasil . É autor dos livros "1968 - o ano que não terminou" e "Cidade Partida", além de acumular prêmios como Esso de Jornalismo, Jabuti e Vladimir Herzog.
À IMPRENSA, Zuenir Ventura falou sobre a surpresa ao ser eleito para a Academia, o papel dela na sociedade, sua incursão no romance, os rumos do jornalismo atual e seus futuros projetos.
IMPRENSA: Como se sentiu ao ser eleito para a ABL? Zuenir Ventura: Embora houvesse indicações de que eu seria eleito, foi uma grande surpresa. Eu tinha expectativa, sobretudo, esperança, mas é algo inesperado. Fiquei muito honrado. Foi uma votação muito expressiva e é uma emoção muito grande ser reconhecido pelos seus pares. Foi uma das minhas maiores alegrias, pois nunca havia sido eleito nem para síndico de prédio (risos).
Como avalia a atuação da Academia na sociedade? A Academia hoje está muito aberta à sociedade. Ela realmente promove uma interação muito grande por meio de cursos, palestras, revistas guiadas de estudantes. É uma instituição cultural muito democrática e ligada à sociedade. Não é elitista.
Há um espaço considerável para os jornalistas? Passaram pela academia grandes jornalistas. Então, também é uma grande responsabilidade para mim. Hoje, mesmo, tem um número grande de profissionais. Recentemente, entrou o Ferreira Gullar. Há nomes como Arnaldo Niskier, Cícero Sandroni, Ana Maria Machado, e muitos outros. A ABL tem uma participação expressiva da imprensa.
Depois da ABL, há algo que o senhor planeja fazer? Quero participar da interação da Academia com a sociedade. Principalmente desse ciclo de cursos e debates que eles preparam. Também estou num projeto, este fora da ABL. É um musical sobre a velhice, junto com o Luiz Fernando Verissimo e o Ziraldo. Vai estrear ano que vem. O problema é que a gente não sabe o que é velhice (risos). Ainda precisamos acertar os detalhes, como o elenco.
O senhor marcou estreia na ficção há dois anos, com "Sagrada Família". Como foi se dedicar à literatura? Foi uma experiência curiosa. A primeira sensação que eu tive ao escrever foi de liberdade. Eu descobri que poderia mentir. No jornalismo sempre temos de apurar, checar, e escrever o mais próximo possível da realidade. Já na ficção, quanto mais você mente, melhor fica.
Recentemente, em especial após as eleições, discute-se a regulação da mídia. Como o senhor avalia isso? Com vários nomes e uma série de eufemismos, houve sempre uma tentativa do poder de regulamentar a mídia, ou seja, de controlar a mídia de fato. A imprensa é naturalmente pura oposição. Tem que fiscalizar, ser chata e não pode ser chapa branca. E o poder não gosta de oposição da imprensa. Eu desconfio de todas essas tentativas que no fundo é controle da liberdade de expressão. Isso é terrível. Já vivemos durante duas décadas e não afeta só o jornalista, mas o leitor.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.





