“Queríamos divertir com uma atitude crítica”, diz Marcius Melhem sobre “Tá no Ar”
Seriado com esquetes sobre o mundo televisivo alavanca as madrugadas da Rede Globo com humor afiado e críticas cristalizadas.
Atualizado em 11/06/2014 às 10:06, por
Christh Lopes*.
Feliz é aquele que pode rir de si mesmo. Com bons índices de audiência desde a estreia, “Tá no Ar” finaliza sua primeira temporada fazendo piadas com a programação de sua própria emissora, a Globo. Com formato versátil, a série trata de diversos clichês da TV aberta e fechada, fazendo sátiras com desde jornalísticos a seriados dublados.
Em entrevista à IMPRENSA, os atores Marcius Melhem, Marcelo Adnet e Welder Rodrigues abordam o sucesso do programa, que deve ganhar uma segunda temporada em agosto. “As qualidades do nosso programa estão aí escancaradas, analisadas por todo o Brasil - público e imprensa”, diz Melhem.
Crédito:João Miguel Júnior/ Globo Welder Rodrigues, Marcius Melhem e Adnet em ação, no "Tá no Ar" Contratado para inovar o humor da emissora carioca, o jornalista e comediante Marcelo Adnet esperava por uma oportunidade para fazer um trabalho que correspondesse às expectativas do telespectador. Até que o "Tá no Ar" emplacou. “Em uma bela tarde de julho de 2013, o Marcius Melhem me falou que tinha uma ideia. Ele apresentou um conceito de programa que pensou para nós dois e eu gostei bastante. Chamamos o diretor Mauricio Farias e começamos a escrever com uma equipe de nove redatores”, conta.
A ideia inicial da atração foi mudando, conforme a necessidade de ajustar a concepção de recriar a experiência de ver televisão, uma paixão nacional. “Zapeadas, trocas rápidas de canal, variedade na programação, humor com marcas e comerciais, autocrítica, está tudo lá”, diz Adnet. “Fomos polindo, lapidando, esculpindo essa ideia, e o conceito estava pronto. Botamos no ar e o sucesso veio. Não tem segredo: é trabalho”, diz Melhem. Com muitos meses de empenho, o ator ressalta que “juntamos muitos talentos em torno de uma ideia e ela deu certo”.
Inevitáveis comparações
Refutando qualquer possibilidade de relação com projetos de outros humoristas, o ator Marcius Melhem considera que a produção da série global não se assemelha a nenhum outro programa. “Se existem ou existiram projetos semelhantes por aí, não foi em cima deles que o nosso foi feito. Nós estamos nesse lugar porque trabalhamos honestamente para isso. Tivemos uma ideia e a desenvolvemos com competência. A televisão é tema de si mesma desde que foi inventada. Seria muita pretensão minha ou de qualquer um dizer que inventou a roda”, disse o ator.
Crédito:João Cotta/ TV Globo Os personagens "Tony Karlakian" e "Rick Mattarazzo" Ressaltando as diferenças com os demais humorísticos, Marcelo Adnet afirma que não há nenhuma referência direta que motiva ou que proporciona a base para o desenvolvimento da atração. “Apesar de não pretender nenhum ineditismo ou crédito por nenhuma grande invenção, digo que programas que adoro, como ‘Casseta’, ‘Monty Python’, ‘Family Guy’, ‘Saturday Night Live’, ‘Comédia MTV’ e ‘TV Pirata’ (apesar de ter TV no nome) não falam especificamente do universo da programação da TV - inclusive a TV a cabo”.
Para brincar com temas frequentes na televisão brasileira, os roteiristas não deixaram nenhuma piada passar. Todas foram entregues para a supervisão da casa, e por incrível que isso possa parecer, nenhuma foi barrada. O que não é novidade para Melhem, que diz não se surpreender, pois “tudo foi discutido desde o início e só recebemos apoio”.
Para Adnet, a liberdade total com que foi sendo levado o projeto pode ter deixado muita gente incrédula. “Agradeço à direção que apostou no nosso bom senso e deixou a gente brincar à vontade. Isso dá esperanças de um novo tempo para o humor e para a TV”. Já Welder Rodrigues diz ter ficado feliz com a recepção da emissora, uma vez que “objetivo final do programa é o riso e você precisa de ferramentas para isso”.
Em entrevista para o jornal Extra , Marcelo Adnet deu como provável a segunda temporada do seriado no ano que vem, mas pretende retornar em um horário mais cedo, às quintas-feiras. “O programa é um pouquinho tarde, poderia ser mais cedo. Tenho a mentalidade de que seria melhor a gente voltar logo. Mas por outro lado, sei que dá para esperar um pouquinho mais para ter um horário melhor”, declara.
Com boa receptividade do público durante toda a veiculação da atração na emissora carioca, Melhem afirma que o objetivo do programa foi cumprido. “A sociedade acolheu o programa, gosta dele, o compartilha a semana inteira nas redes sociais. Estamos muito felizes, porque queríamos comunicar, queríamos divertir com uma atitude crítica embutida, e conseguimos. O programa diverte e levanta questões”, diz.
"Tá no Ar" e o jornalismo
Uma das esquetes que tem chamado a atenção do público é a que conta com a presença de um personagem que reclama de tudo que está sendo veiculado no programa. “A revolução libertadora da internet trouxe, além de suas maravilhas, uma tinta forte na opinião, para os fãs e críticos também. O personagem do militante é o único que não faz parte do universo da televisão e representa o pensamento dos críticos, dos anônimos e da parcela dos telespectadores que assistem à televisão com computador ou com o celular na mão”, diz Adnet. Segundo Melhem, ele “representa uma tendência ao radicalismo e às teorias conspiratórias que existem hoje em uma parcela da sociedade”. Veja o .
Fazendo referência aos programas vespertinos da televisão brasileira, o apresentador Jorge Beviláqua, interpretado pelo ator Welder Rodrigues, aborda supostos crimes cometidos por crianças defendendo a família brasileira. “Jardim Urgente usa da transposição do universo da violência para o da educação infantil para desnudar um certo tipo de discurso e comportamento que alguns programas têm”, diz Melhem. Com o bordão mais conhecido do seriado, “foca em mim”, Rodrigues se lembra do momento em que foi escolhido para fazer o papel do polêmico jornalista. “Eu soube que faria o personagem na primeira leitura de texto, há cerca de três meses. O texto já veio pronto, chegou redondinho da redação”, conta.
“Eu tive liberdade para dar sugestões também, como o nome dos câmeras e do pessoal do estúdio com os quais o apresentador interage”, completa. Para Adnet, a brilhante atuação do colega faz um “híbrido de vários apresentadores deste gênero”, retratado na esquete. Analisando contextualmente, o comediante afirma que este tipo “tem um lado positivo, que é o fato de o apresentador se envolver com as notícias e emitir sua opinião pessoal, algo que anda muito em falta na TV. Mas tem o lado negativo, que é o sensacionalismo ao explorar as notícias”. Com experiência ao satirizar reportagens como integrante do coletivo Melhores do Mundo, Welder Rodrigues também enxerga com bons olhos tais atrações. “Até hoje tenho edições de jornais populares impressos e rio muito”. Veja o .
* Com supervisão de Danúbia Guimarães
Em entrevista à IMPRENSA, os atores Marcius Melhem, Marcelo Adnet e Welder Rodrigues abordam o sucesso do programa, que deve ganhar uma segunda temporada em agosto. “As qualidades do nosso programa estão aí escancaradas, analisadas por todo o Brasil - público e imprensa”, diz Melhem.
Crédito:João Miguel Júnior/ Globo Welder Rodrigues, Marcius Melhem e Adnet em ação, no "Tá no Ar" Contratado para inovar o humor da emissora carioca, o jornalista e comediante Marcelo Adnet esperava por uma oportunidade para fazer um trabalho que correspondesse às expectativas do telespectador. Até que o "Tá no Ar" emplacou. “Em uma bela tarde de julho de 2013, o Marcius Melhem me falou que tinha uma ideia. Ele apresentou um conceito de programa que pensou para nós dois e eu gostei bastante. Chamamos o diretor Mauricio Farias e começamos a escrever com uma equipe de nove redatores”, conta.
A ideia inicial da atração foi mudando, conforme a necessidade de ajustar a concepção de recriar a experiência de ver televisão, uma paixão nacional. “Zapeadas, trocas rápidas de canal, variedade na programação, humor com marcas e comerciais, autocrítica, está tudo lá”, diz Adnet. “Fomos polindo, lapidando, esculpindo essa ideia, e o conceito estava pronto. Botamos no ar e o sucesso veio. Não tem segredo: é trabalho”, diz Melhem. Com muitos meses de empenho, o ator ressalta que “juntamos muitos talentos em torno de uma ideia e ela deu certo”.
Inevitáveis comparações
Refutando qualquer possibilidade de relação com projetos de outros humoristas, o ator Marcius Melhem considera que a produção da série global não se assemelha a nenhum outro programa. “Se existem ou existiram projetos semelhantes por aí, não foi em cima deles que o nosso foi feito. Nós estamos nesse lugar porque trabalhamos honestamente para isso. Tivemos uma ideia e a desenvolvemos com competência. A televisão é tema de si mesma desde que foi inventada. Seria muita pretensão minha ou de qualquer um dizer que inventou a roda”, disse o ator.
Crédito:João Cotta/ TV Globo Os personagens "Tony Karlakian" e "Rick Mattarazzo" Ressaltando as diferenças com os demais humorísticos, Marcelo Adnet afirma que não há nenhuma referência direta que motiva ou que proporciona a base para o desenvolvimento da atração. “Apesar de não pretender nenhum ineditismo ou crédito por nenhuma grande invenção, digo que programas que adoro, como ‘Casseta’, ‘Monty Python’, ‘Family Guy’, ‘Saturday Night Live’, ‘Comédia MTV’ e ‘TV Pirata’ (apesar de ter TV no nome) não falam especificamente do universo da programação da TV - inclusive a TV a cabo”.
Para brincar com temas frequentes na televisão brasileira, os roteiristas não deixaram nenhuma piada passar. Todas foram entregues para a supervisão da casa, e por incrível que isso possa parecer, nenhuma foi barrada. O que não é novidade para Melhem, que diz não se surpreender, pois “tudo foi discutido desde o início e só recebemos apoio”.
Para Adnet, a liberdade total com que foi sendo levado o projeto pode ter deixado muita gente incrédula. “Agradeço à direção que apostou no nosso bom senso e deixou a gente brincar à vontade. Isso dá esperanças de um novo tempo para o humor e para a TV”. Já Welder Rodrigues diz ter ficado feliz com a recepção da emissora, uma vez que “objetivo final do programa é o riso e você precisa de ferramentas para isso”.
Em entrevista para o jornal Extra , Marcelo Adnet deu como provável a segunda temporada do seriado no ano que vem, mas pretende retornar em um horário mais cedo, às quintas-feiras. “O programa é um pouquinho tarde, poderia ser mais cedo. Tenho a mentalidade de que seria melhor a gente voltar logo. Mas por outro lado, sei que dá para esperar um pouquinho mais para ter um horário melhor”, declara.
Com boa receptividade do público durante toda a veiculação da atração na emissora carioca, Melhem afirma que o objetivo do programa foi cumprido. “A sociedade acolheu o programa, gosta dele, o compartilha a semana inteira nas redes sociais. Estamos muito felizes, porque queríamos comunicar, queríamos divertir com uma atitude crítica embutida, e conseguimos. O programa diverte e levanta questões”, diz.
"Tá no Ar" e o jornalismo
Uma das esquetes que tem chamado a atenção do público é a que conta com a presença de um personagem que reclama de tudo que está sendo veiculado no programa. “A revolução libertadora da internet trouxe, além de suas maravilhas, uma tinta forte na opinião, para os fãs e críticos também. O personagem do militante é o único que não faz parte do universo da televisão e representa o pensamento dos críticos, dos anônimos e da parcela dos telespectadores que assistem à televisão com computador ou com o celular na mão”, diz Adnet. Segundo Melhem, ele “representa uma tendência ao radicalismo e às teorias conspiratórias que existem hoje em uma parcela da sociedade”. Veja o .
Fazendo referência aos programas vespertinos da televisão brasileira, o apresentador Jorge Beviláqua, interpretado pelo ator Welder Rodrigues, aborda supostos crimes cometidos por crianças defendendo a família brasileira. “Jardim Urgente usa da transposição do universo da violência para o da educação infantil para desnudar um certo tipo de discurso e comportamento que alguns programas têm”, diz Melhem. Com o bordão mais conhecido do seriado, “foca em mim”, Rodrigues se lembra do momento em que foi escolhido para fazer o papel do polêmico jornalista. “Eu soube que faria o personagem na primeira leitura de texto, há cerca de três meses. O texto já veio pronto, chegou redondinho da redação”, conta.
“Eu tive liberdade para dar sugestões também, como o nome dos câmeras e do pessoal do estúdio com os quais o apresentador interage”, completa. Para Adnet, a brilhante atuação do colega faz um “híbrido de vários apresentadores deste gênero”, retratado na esquete. Analisando contextualmente, o comediante afirma que este tipo “tem um lado positivo, que é o fato de o apresentador se envolver com as notícias e emitir sua opinião pessoal, algo que anda muito em falta na TV. Mas tem o lado negativo, que é o sensacionalismo ao explorar as notícias”. Com experiência ao satirizar reportagens como integrante do coletivo Melhores do Mundo, Welder Rodrigues também enxerga com bons olhos tais atrações. “Até hoje tenho edições de jornais populares impressos e rio muito”. Veja o .
* Com supervisão de Danúbia Guimarães





