"Quem tinha dados era mina de ouro", diz jornalista sobre cobrir ambiente em 1987

“Ah, você é ambientalista.” A frase, não rara, era dita frequentemente à imprensa nos anos 80. “Não, sou jornalista ambiental”, respondiam os poucos que cobriam o assunto na época.

Atualizado em 05/09/2012 às 10:09, por Guilherme Sardas e  Jéssica Oliveira* e Luiz Vassalo*.

Liana John, repórter de meio ambiente desde 1983, chegou a fazer parte deste diálogo. No mês em que IMPRENSA completa 25 anos, ela relembra as pautas de jornalismo ambiental em 1987. Crédito: Arquivo HSBC

Liana é blogueira do site da Planeta Sustentável, faz freelancers para a National Geografic , além de colaborar com a Brasileiros e escrever alguns livros. Já passou por diversos veículos, como I stoÉ , Veja e Agência Estado, onde ficou por mais tempo. A jornalista lembra que desde a faculdade já tinha uma vontade enorme de trabalhar com meio ambiente, inspirada um pouco em seu avô, que já tinha um "olhar para isso."

"Aprendi muita coisa com os entrevistados. Se eu não entendia ficava ali ‘no pé’ até entender”, diz. Ela observa que nos últimos anos melhorou a disponibilidade de cursos para a área, tornando possível até fazer pós-graduação. "Mas não necessariamente melhorou a cobertura", ressalta.

No começo de sua carreira, Liana recorda que ainda havia algo muito forte de jornalistas serem associados ao movimento de ambientalistas, de engajamento e participação nas ONGs, “até haver um reposicionamento e profissionalização”, diz.

Segundo ela, a cobertura era muito factual, mais focada em acidentes e poluição industrial. Além disso, era difícil conseguir informações, porque ninguém queria falar. “Quem tinha dados era mina de ouro’, diz.
Crédito: Reprodução/Folha de S.Paulo - 12/05/1987 Crédito: Reprodução/ O Estado de S.Paulo - 30/08/2012 Hoje, com diversas instituições e não apenas fontes “oficiais” levantando dados, ela afirma que a imprensa tem mais opções, o que exige ainda mais conhecimento prévio "para conseguir discutir com especialistas e saber do que está falando." "O assunto é complexo, tem muitas frentes e requer preparo do jornalista”, afirma.

Centro das atenções Poucos meses depois da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), reunião que aconteceu 20 anos após Eco-92, falar de ambiente e sustentabilidade está cada vez mais comum. A cobertura mais intensa e o interesse grande do público faz com que o assunto seja diluído em outras editorias.
Para a jornalista, as chefias da redação precisam dar um tempo para os repórteres se prepararem, se aprofundarem no assunto. Liana também alerta para as pautas que vem muito de “fora para dentro.” Segundo ela, "o jornalista precisa gerar mais pautas novas e que partam dele, colocar as coisas em discussão”, explica.

Leia a matéria completa na edição de julho (282) de IMPRENSA.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves