Quem corta redação para obter rentabilidade está se enganando, diz CEO do NY Times

"Qualquer um que pense que cortar redações é uma forma de criar negócio na indústria de mídia está enganando a si mesmo", disse o

Atualizado em 22/04/2019 às 13:04, por Redação Portal IMPRENSA.

"Qualquer um que pense que cortar redações é uma forma de criar negócio na indústria de mídia está enganando a si mesmo", disse o diretor do New York Times, Mark Thompson.

Crédito: Pixabay

A declaração foi dada durante entrevista à diretora geral do Google Austrália, Mel Silva. O tema era a estratégia adotada pelo jornal para seu negócio digital. Recente colocou o NYT como a publicação com maior número de assinantes no mundo. De acordo com os dados divulgados, o jornal tem 3,3 milhões assinantes.


O executivo afirmou compreender que empresas menores podem ter mais dificuldade para conquistar o engajamento, contudo, a estratégia simples de reduzir equipes para obter lucratividade pode custar caro.


"Conseguimos (no NYT) criar uma audiência comprometida e os convencemos a pagar com conteúdos de qualidade. Os editores menores podem não ter essas vantagens, mas têm de acreditar no valor de seu conteúdo", disse Thompson, segundo o site Mumbrella.


O executivo explicou seu ponto de vista com uma lógica simples. Geralmente, a redução de pessoal acaba comprometendo a qualidade do que é produzido.


"Se você está produzindo conteúdo que no fim pode ser encontrado facilmente em outros locais da internet gratuitamente, como notícias genéricas de celebridades e caça cliques, como você pode fazer desse trabalho um negócio? Porcarias sempre estarão disponíveis de graça na internet", argumentou.

Durante a entrevista, Thompson também falou sobre suas preocupações em relação a como os dados particulares dos internautas são utilizados pelas empresas em geral. "A publicidade digital é uma atividade muito problemática e o uso e abuso dos dados das pessoas no ecossistema publicitário está em algum lugar entre o perturbador e o escandaloso. Temos um enorme trabalho de reforma e devemos começar a pensar qual é a quantidade mínima de dados que podemos obter das pessoas para lhes brindar com um bom serviço".