Queixa-crime ajuizada pelo Flamengo contra jornalistas do UOL é alvo de críticas

Entidades e profissionais ligados à defesa da liberdade de imprensa vêm criticando a diretoria do Flamengo por ter ajuizado, na semana passada, uma queixa-crime contra 11 jornalistas do UOL.

Atualizado em 03/07/2023 às 17:07, por Redação Portal IMPRENSA.


A medida foi motivada pela publicação, em março último, da matéria "Engenheiro acusa: Flamengo adulterou cena do incêndio". O clube não incluiu o UOL no processo, apenas os profissionais, individualmente.
Além do jornalista Léo Burlá, que assinou a matéria, e do engenheiro José Augusto, que fez as afirmações nas quais a reportagem baseou-se, foram processados os profissionais de imprensa que participaram da edição do material (Alexandre Araújo, Igor Siqueira, Bruna Sanches, René Cardillo, Márcio L. Castro, Lucas Lima, Bruno Doro, Diego Assis, Leonardo Rodrigues e Pedro Lopes). Crédito: Reprodução UOL Reportagem que motivou queixa-crime: para especialistas, medida é tentativa de intimidação Ao UOL, a advogada Taís Gasparian, diretora do Instituto Tornavoz, afirmou que pretender levar jornalistas à prisão pelo exercício da profissão é "prática eticamente abusiva".
Já o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) afirmaram terem recebido com muita preocupação a notícia da queixa-crime.
"Surpreende o fato de que o clube processou individualmente os profissionais, e não a empresa. Infelizmente, tal expediente é utilizado para constranger jornalistas e impedir o exercício da profissão e a livre circulação de informações", afirmaram as entidades em nota conjunta.
Retaliação

A Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo) também condemou o processo movido pelo Flamengo contra jornalistas do UOL, afirmando que ele visa intimidar os profissionais de imprensa.

Essa não é a primeira iniciativa tomada pelo Flamengo em retaliação à reportagem sobre a denúncia de adulteração da cena do incêncio no Ninho do Urubu, que ocorreu em 2019 e causou a morte de 10 garotos do futebol de base que moravam nos alojamentos do Centro de Treinamentos da equipe carioca.
Em março último, a diretoria do clube barrou jornalistas do UOL de cobrirem ao menos dois treinos do time de futebol profissional.
Na ocasião, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) emitiram nota repudiando a atitude, que também foi criticada por dois ex-presidentes do Flamengo: Eduardo Bandeira de Mello e Kleber Leite.
Flamenguista assumido, o comentarista esportivo Mauro Cezar Pereira também condenou à época o cerceamento aos colegas do UOL.