Quebra de confiança

Quebra de confiança

Atualizado em 28/12/2007 às 21:12, por Angélica Pinheiro,  da Revista IMPRENSA e Cristiane Prizibisczki e  do Portal IMPRENSA.

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Nos quadrinhos, já fomos super-heróis. Clark Kent e Peter Park, jornalistas de profissão, despiam-se de suas roupas de humanos comuns para salvar o mundo na pele do Super-Homem e Homem-Aranha, respectivamente. Hoje a situação mudou. Se antes éramos considerados cidadãos do bem, hoje poderíamos encarnar os piores vilões criados pela indústria do entretenimento. A avaliação é de Ignacio Ramonet. O diretor-presidente do Le Monde diplomatique , considerado um dos maiores críticos desse século, que atribui à falta de credibilidade e à concentração das empresas jornalísticas nas mãos de poucos grupos a maior crise da história da imprensa.

Na França, a queda de circulação dos jornais, que não poupa nem o Le Monde diplomatique, é o sinal do descrédito, aponta o jornalista e sociólogo galego. Para ele, "a maior tragédia do nosso tempo", a guerra do Iraque, resume a atuação da mídia, que está sendo vista com desconfiança não só na Europa como no restante do mundo. "A guerra foi apoiada em duas informações falsas, que Saddam tinha armas de destruição e havia sido cúmplice do 11 de setembro, e a imprensa não foi capaz de desmentir", exemplifica.

Autor de "Iraque - história de um desastre", no qual reconstituiu a cadeia de acontecimentos e decisões que levaram à ocupação, Ramonet acredita que os livros são o espaço adequado para os jornalistas publicarem histórias que não têm espaço na imprensa. Dois de seus títulos refletem essa idéia. "Fidel - biografia a duas vozes" é o resultado de 100 horas de entrevistas com o presidente cubano, a mais longa já concedida pelo comandante a um jornalista. E em "Marcos - a dignidade rebelde", o chefe guerrilheiro de Chiapas expõe ao diretor do jornal francês as razões de sua revolta contra a globalização.

Afora as informações contidas nos bons livros-reportagem, o jornalista considera que o descrédito da mídia já provocou um fenômeno que ele chama de "insurreição midiática". Trata-se de um movimento comandado pela sociedade contra o jornalismo declaratório e que por redes independentes contesta as informações divulgadas pela imprensa. "Nas vésperas das eleições legislativas, por exemplo, o povo espanhol duvidou das informações passadas por Aznar sobre os atentados de 11 de março.

Leia a matéria completa na edição 230 de IMPRENSA