Quarta colocada em leilão da Manchete entra com processo para anular decisão

Quarta colocada em leilão da Manchete entra com processo para anular decisão

Atualizado em 29/05/2009 às 16:05, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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A empresa Prosperitas, gestora de private equity imobiliário, entrou com um processo pedindo o cancelamento do resultado do leilão do antigo prédio da Rede Manchete, no Rio de Janeiro. Expedido na última quinta-feira (28), o processo de número 2009.002.20062 deve ser julgado pelo desembargador Ronaldo Rocha Passos, da 3ª Câmara Cível do Rio de Janeiro.

A empresa acionou a Massa Falida da Bloch Editores, dona do imóvel, e a Credcheque Serviços Bancários, segunda colocada no leilão - que na última quinta-feira depositou o valor de R$ 64,5 milhões pelo prédio, após a vencedora do leilão, Victória Vix Serviços e Transporte, não ter honrado o compromisso e concretizado a transação.

A Prosperitas ficou em quarto lugar no leilão, e alega que o único que tinha chaces reais de comprar o prédio era o arrematante; por isso, a segunda colocada não poderia fazer o depósito.

Segundo José carlos Jesus, presidente da Comissão de Ex-Funcionários da Bloch Editores, a empresa entrou com o processo antes mesmo de saber que a Credcheque fazer o pagamento. "Agora, com esse processo, todo o dinheiro que foi depositado não pode ser mexido. São três mil ex-funcionários prejudicados e não podemos fazer nada", afirmou o presidente.

Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer na Praia do Flamengo, o imóvel tinha avaliação mínima de R$ 41,7 milhões. Do valor total, R$ 25 milhões vão para a Fazenda Nacional, e os R$ 40 milhões restantes serão usados para pagar ações trabalhistas de ex-funcionários e dívidas com a União.

A Comissão de Ex-Funcionários enviou nesta sexta-feira (29) uma carta à Mauro Miranda, diretor da Prosperitas, pedindo que a empresa tire a ação que move contra a Massa Falida de Bloch Editores em função do leilão dos prédios da ex-Bloch. "Assim, os interesses da Prosperitas não são prejudicados e nós, os quase 3 mil ex-funcionários da Bloch Editores, poderemos receber o dinheiro de que tão desesperadamente necessitamos", diz a carta.

Leia a carta na íntegra:

Nesta sexta-feira, 29 de maio, os ex-funcionários da falida Bloch Editores lotaram o auditório do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, numa assembléia em que a angústia se misturava à esperança. A angústia superava a esperança, porque há dez anos estamos lutando pelos nossos direitos trabalhistas.

Somos quase três mil habilitados nesse processo, e com nossas famílias somamos quase doze mil pessoas. Devido à idade e aos preconceitos contra os idosos, não conseguimos emprego. Nossas famílias estão passando fome. Muitos de nós estão doentes, outros morreram. É por isto que a angústia supera a esperança, como se via nos rostos dos que lotavam o auditório do Sindicato, alguns dos quais até choravam. Não é pieguice. É a dura realidade.

Por esta razão, fazemos-lhe este a apelo. Por favor, que a Prosperitas, tão competentemente representada por V.Sa., retire a ação que move contra a Massa Falida de Bloch Editores em função do leilão dos prédios da ex-Bloch na Rua do Russell, Rio. O eminente doutor quis, com esse processo, resguardar o interesse da sua empresa, mas lembramos que os riscos aos quais se referiu na ação deixaram de existir no momento em que a CredCheque fez o depósito dos R$ 65,5 milhões (sessenta e cinco milhões e quinhentos mil reais) que propusera no referido leilão. Já que os riscos não existem mais, por que prosseguir com sua ação contra a Massa Falida?

Repetimos: por favor, retire a ação. Assim, os interesses da Prosperitas não são prejudicados e nós, os quase 3 mil ex-funcionários da Bloch Editores, poderemos receber o dinheiro de que tão desesperadamente necessitamos.

Aguardo alguma comunicação da sua parte, para que possa transmiti-la aos meus colegas.

Ansiosamente,
José Carlos Jesus
Presidente da Comissão de ex-Funcionários da Bloch Editores

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