"Qualquer publicação de hoje terá que trabalhar com vídeo", diz editor sobre a TVeja

Carlos Graieb e Joice Halsselmann comentam os desafios de fazer TV pela internet com o novo canal de vídeos da revista "Veja".

Atualizado em 21/08/2014 às 17:08, por Lucas Carvalho*.

Na última segunda-feira (18/8), a revista Veja colocou no ar sua mais nova aposta em conteúdo multimídia na internet: a . Com uma programação fixa e diária, o canal de TV pela web é ancorado pela jornalista Joice Hasselmann e tem como foco acompanhar as eleições de 2014.
Crédito:Divulgação TVeja é a primeira TV de uma publicação com programação fixa e diária
Entre os conteúdos da grade estão as atrações "No Alvo", videolog com análises e opiniões da apresentadora sobre as informações mais importantes do cenário político; "Giro Veja Eleições 2014", podcast com a equipe de reportagem da Veja com questões sobre os bastidores da corrida eleitoral; "Aqui Entre Nós", diálogo entre colunistas sobre política, e "Direto ao Ponto", programa de entrevistas com os principais candidatos. A TVeja fará também uma integração com a seção “Páginas Amarelas” da revista.
A ideia partiu do diretor de redação Eurípedes Alcântara e do editor executivo Carlos Graieb. Após experimentar conteúdo em vídeo em séries isoladas, como nos comentários sobre cinema da jornalista Isabela Boscov, programas sobre ciência e jardinagem, além das transmissões em tempo real sobre o julgamento do mensalão em 2013, a equipe decidiu que era hora de tomar o “próximo passo”.
“Desde 2009 nós temos o propósito de ampliar nossa produção de vídeo”, comenta Graieb à IMPRENSA. “Depois de acumular experiência, queríamos fazer uma coisa diferente nas eleições, que é o grande momento para qualquer jornal ou revista. Ainda mais para a Veja , que tem na política um de seus pontos mais fortes.”
Graieb cita a experiência da recém-contratada Joice Hasselmann como ponto determinante para a implementação da “TVeja”. “Uma pessoa que tem duas características que nos fizeram tomar a decisão de escolhê-la: o fato de ser uma profissional de televisão e o fato de ter um traquejo na cobertura política”, acrescenta.
“Eles me encontraram e acharam que era esse o perfil, o de alguém que ‘manja’ de política, economia, internet, televisão, rádio... Enfim, aquela coisa de fazer gol, cabecear e defender”, diz Joice com bom humor. “Ele [Eurípedes Alcântara] tinha uma coisa em mente, mas não sabia exatamente como. Então eu peguei aquela ideia e transformei em ação junto com o Graieb.”
O editor prefere não falar em números, mas já adianta que a equipe está bastante satisfeita com os resultados dos primeiros três dias do projeto no ar. “Mostra para nós que existe interesse [das pessoas] que a Veja produza em vídeo. Mas só vamos saber um pouco mais pra frente qual impacto isso terá na nossa audiência. Os primeiros números são encorajadores. Dizem que a gente deve perseverar nessa experiência.”
No terreno digital
“Como qualquer publicação de papel, fazer a migração para o digital é difícil. Fazer a migração para o vídeo é mais difícil ainda. As culturas são muito diferentes. [...] É uma linguagem que todo mundo vai ter que dominar. Em alguma proporção, qualquer publicação de hoje vai ter que trabalhar com vídeo”, continua Graieb.
Dominar o público digital é o principal objetivo da maioria dos veículos de comunicação que resolvem fazer parte desse terreno, diz Joice. “O que a gente vê é um consumo crescente dos vídeos, inclusive da TV aberta, na internet. As pessoas procuram a internet para escolher o que elas querem ver. [...] Hoje, o tempo é artigo de luxo e isso justifica esse crescimento gigantesco. E, claro, a Veja não poderia ficar de fora, tanto que lançou essa ideia primeiro: a de ter uma TV com grade fixa na internet.”
Para se comunicar com o público, Joice diz que a linguagem é bastante diferente na internet, em comparação com TV e rádio, onde ela se “formou”. O discurso, ela afirma, não pode ser demasiadamente rebuscado, como pede o assunto, e nem simples demais. “Não combina com Veja ”. “Eu sempre brinco que é muito difícil falar fácil. Então, esse é o exercício, ter uma linguagem direta, olho no olho com o internauta”, acrescenta.
Após o período eleitoral, o canal será mantido com um enfoque mais aberto, incluindo ainda outros temas, como gastronomia e degustação de vinhos. Tudo sem perder o foco em política e economia, que é a “pegada” da Veja , como diz Joice. “São planos que ainda estamos pensando em colocar em prática. Cada dia vai surgindo uma ideia nova. [...] A gente quer criar no nosso público essa necessidade de consumo com uma grade fixa de programação”, finaliza.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves