Qual é a importância do estágio?
Qual é a importância do estágio?
Aqui na redação de IMPRENSA costumamos abrir vagas para estagiários. Desde que assumi o Portal, tenho tido sorte em minhas escolhas. Embora tenha o costume de fazer testes de escrita, entrevistas e análises de currículo, a seleção nem sempre tem como critério principal o melhor texto ou experiências anteriores. Às vezes, critérios um tanto subjetivos, por assim dizer, acabam tendo mais peso. Vou tentar explicar melhor.
Quando era estudante de Jornalismo, logo no primeiro ano, nas primeiras férias que tive na faculdade, recebi uma oportunidade muito bacana de um amigo de minha família que mantém um jornal diário em minha cidade natal, Poços de Caldas (MG). O nome do jornal é Folha Popular e meu incentivador se chama Demilton Vacarelli.
Na ocasião, em 1999, eu nunca havia posto os pés em uma redação e tinha um texto bem cru, viciado pelas freqüentes redações do Ensino Médio e pelas preparações para o vestibular. Resultado: redigia matérias de página inteira, sem nenhuma retranca, embora tivesse perfeição lingüística, ou seja, sempre soube escrever Português.
Com o tempo, acompanhando o funcionamento do jornal, percebendo as nuances da escrita, vendo o trabalho dos mais experientes, aprendi muito. Como o jornal em que fiz meu primeiro estágio não era grande, tive a oportunidade de acompanhar todas as fases de produção e conhecer de perto as características de cada editoria: geral, política, polícia, entretenimento, esportes. Isso, certamente, fez uma enorme diferença em minha vida quando entrei, de fato, no mercado de trabalho. Cheguei sabendo a realidade das empresas e sem as fantasias que costumo flagrar nos estudantes.
Isso me faz defender o estágio com unhas e dentes. É indiscutível a diferença do recém-formado que já passou por estágios para o que não passou. Entendo as razões trabalhistas que levam os Sindicatos de Jornalistas a irem contra a prática, já que muitas empresas colocam os estagiários para realizarem o trabalho de jornalistas formados por valores irrisórios. Mas não podemos ignorar os benefícios que um estágio pode trazer ao estudante.
Volto então, aos critérios subjetivos de que falava antes. A primeira coisa que olho, é claro, são os currículos e os que me chamam mais atenção são os mais diretos, sem embromação, sem obviedades e sem erros de Português. Já recebi muito currículo de estudante que aguardava "ancioso" minha resposta. Ou que não tinha "esperiência" anterior, mas "muito boa vontade". Por fim, na entrevista, percebo a vontade, a dinâmica, o quão aquele estudante quer passar por aquela experiência. Já escolhi pessoas sem nenhum estágio anterior, com um texto não tão "redondo", mas que conheciam o veículo e tinham na ponta da língua algumas matérias lidas. Pode até ser ensaiado, mas impressiona.
Falei mais de uma vez nesta coluna sobre a importância de se saber escrever o Português. Parece piada, mas é impressionante o número de erros e de absurdos que estudantes de Jornalismo são capazes de escrever. Fora os descritos acima, muitos outros, desde separar com vírgula sujeito e predicado, até não fazer a menor idéia do emprego de crases e afins. Isso é grave, porque prova que o futuro jornalista sequer lê. Erros assim raramente são cometidos por quem tem o mínimo hábito de leitura.
Portanto, caso você seja candidato a alguma vaga de estágio, preste atenção nesses toques e aproveite cada oportunidade que tiver para melhorar seu texto. Como? Comece, pelo menos, a ler os jornais do dia. Quais as manchetes de hoje dos principais jornais do país? Caso você não saiba responder ao menos uma, corra. E corra mesmo! O mercado profissional não perdoa a desinformação e o desinteresse.






