Publicidade com gostinho de arte

Publicidade com gostinho de arte

Atualizado em 24/10/2007 às 12:10, por Nathália Duarte / Redação Portal IMPRENSA.

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Formado em Ciências Sociais pela PUC de São Paulo, Celso Piratininga Jr., filho de Luiz Celso Piratininga, é sócio e diretor de uma das agências de publicidade mais antigas do país. Fundada em 1970, originalmente sob a sigla AD/AG (Advertising Agency), a ADAG conta atualmente com uma equipe de quarenta profissionais dedicados diariamente aos desafios trazidos pelo mercado nas áreas de marketing, trademarketing e responsabilidade social empresarial, dirigidos tanto ao setor privado como o setor da administração pública.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Celso conta que seu contato com a profissão começou cedo - já aos oito anos de idade acompanhava de perto das ações do pai visitando a agência nos finais de semana. Segundo conta, seu "primeiro grande lance profissional" na agência foi o cinema, arte pela qual se declara apaixonado - além, é claro, do intenso gosto pela música.

Casado e pai de dois filhos, sem esquecer o fox terrier, o politizado Celso destaca que, em seu cotidiano acadêmico, o desenvolvimento do seu discurso criativo e da capacidade de transformação social foram fundamentais para a visão de planejamento que que tem hoje diante de sua carreira.

Acompanhe abaixo a entrevista exclusiva que Celso Piratininga Jr. concedeu a nossa equipe.

IMPRENSA - Entre os trabalhos desenvolvidos pela ADAG, qual você considera uma campanha ou case inesquecível?

Celso Piratininga Jr. - Perguntinha difícil, né? Olha, de todos os desafios, posso citar um que, pelo valor social, vale ser contado. Trata-se da campanha do Dia Nacional da Família na Escola que desenvolvemos para o ministro da Educação Paulo Renato. Ao lado da Lívia Barreto, coordenadora do "Acorda Brasil", nossa campanha atraiu cerca de 70% das famílias em todo o Brasil para um dia de convívio com a comunidade escolar de seus filhos: professores, funcionários das escolas, as outras famílias, coordenadores, diretores, enfim todo mundo que de alguma forma fazia parte do dia-a-dia das crianças. Os pontos determinantes da campanha foram o planejamento "milimétrico" das ações, a qualidade das informações geradas em todos os níveis da relação e a qualidade da campanha televisiva, "ancorada" pela Fernanda Montenegro.

IMPRENSA - Como sociólogo, como você avalia a influência da propaganda no mercado consumidor e no meio social?

Piratininga - A publicidade brasileira sempre foi muito profissional e ética. Tão profissional e ética que criou seu código de auto-regulamentação (Conar). Que outras profissões fizeram o mesmo com tamanho sucesso? Por outro lado, o que assistimos em Brasília nesse passado recente contribuiu negativamente para todo o negócio e, ao mesmo tempo, serviu para uma espécie de qualificação dos sistemas de licitações e administração dos negócios. Se serviu para alguma coisa, foi para isso. Sobre a influência da propaganda no mercado consumidor e no meio social não há dúvida: é uma influência enorme. A propaganda dita moda, convence, estimula o consumo, ensina o consumidor e contribui substancialmente para o fortalecimento da economia. A propaganda é essencial.

IMPRENSA - Como filho de um publicitário considerado um dos mais importantes do país, você, em algum momento, sofreu com comparações?

Piratininga - Jamais. Meu sobrenome só contribuiu positivamente em tudo aquilo que fiz até hoje. Tenho enorme admiração pelo Pira e me esforço para estar a altura de suas idéias e conduta. Nossa relação é de absoluta autonomia e respeito. Além do que, ele é uma figura.

IMPRENSA - O dia-a-dia de um publicitário normalmente dispensa uma rotina determinada e horários fixos. Como é sua relação familiar e a divisão de seu tempo?

Piratininga - Olha, a resposta pode parecer um pouco careta. Apesar de toda essa "fama" que a profissão de publicitário carrega, tenho uma vida familiar absolutamente normal. Eu e a Crika, minha esposa, mantemos um dia-a-dia no limite do que pode ser considerada uma vida tranqüila, em São Paulo. Meus dois filhos adoram propaganda, dão palpite em campanhas, criticam, curtem os trabalhos. De certa forma, todos acabam participando. Acho que a profissão do publicitário é muito mitificada, deveria ser bem menos. Horários, agendas, compromissos, histórias incríveis, sexo, drogas e rock´n´roll. Isso tudo, na minha modesta opinião, é uma enorme bobagem, fruto de uma imagem projetada por uma geração antiga da propaganda. Agora, pra quem gosta de tomar cerveja quente e comer coxinha fria em festinhas bacanas, nosso mercado é mestre, tem à vontade também. Mas não faz a menor diferença.

IMPRENSA - Qual seu principal "hobby"?

Piratininga - Sem dúvida, a música. Quando mudei de escola, da 5ª para a 6ª série, fui para o Colégio Meninópolis, no Brooklin, onde os alunos já praticavam flauta doce desde a 5ª série. Por causa dessa defasagem, acabei pedindo um help para o meu tio, o baterista Rubinho Barsotti, que na época acabara de fundar o CLAM, a escola de música do Zimbo Trio. Foi ali que comecei a estudar e, de lá para cá, não parei mais. Recentemente, mudei de instrumento, o contrabaixo, para poder tocar com meus filhos (que são pianistas) e, verdade seja dita, incomodar os vizinhos um pouco menos.
A música só me fez (e faz) bem.

IMPRENSA - Como você considera que seja a maneira mais eficaz de lidar com as constantes e rápidas transformações tecnológicas e a convergência de mídias na publicidade?

Piratininga - O aumento da competitividade, a pressão por resultados no curto prazo, a diversificação das plataformas, a pulverização das audiências, as novas mídias e os novos modelos de comportamento do consumidor tornam o cenário da comunicação mais complexo a cada minuto. Nosso negócio é construir marcas de valor, transformar os produtos do cliente no assunto dos consumidores e criar ferramentas múltiplas e eficazes de ativação. Tudo isso com a consciência de que as soluções de ontem não servem para os problemas de hoje e amanhã será preciso repensar o que estamos fazendo agora. O grande lance é estar sempre bem informado e aplicar esse conhecimento no seu dia-a-dia.

IMPRENSA - Qual a proposta do Case com a Editora Abril? Desde quando há essa parceria?

Piratininga - A Editora Abril é uma empresa muito especial e um cliente que está conosco há muitos anos. Reúne profissionais de alta capacidade técnica, marcas de prestígio e oferece um resultado editorial maravilhoso. No dia-a-dia a vida não é fácil. O atendimento ao núcleo infantil é extremamente dinâmico e detalhista. Além da revista semanal Recreio , fazemos o lançamento de todos os álbuns e, recentemente, temos criado alguns jobs em razão dos 20 anos da revista Superinteressante.

A Recreio cria "moda" entre as crianças há mais de 7 anos e no segmento de álbuns temos campanhas muito bem sucedidas, como é o caso de Princesas , Carros , High School Musical , entre tantos outros. É um trabalho fantástico, pois nos obriga ao exercício praticamente diário do entendimento do público infantil, sem desconsiderar seu universo familiar, escolar, social etc. Exige um radar super atento, sensibilidade para interpretar suas demandas e ética no trato com suas expectativas.

Já a Superinteressante é um caso novo. Estamos na terceira edição e adorando o trabalho. Pela própria natureza da marca, sua comunicação deve ser instigante, curiosa e inteligente. É um desafio gostoso que tem nos dado muito prazer e excelentes resultados.

IMPRENSA - As acusações de Renan Calheiros sobre a revista Veja influenciaram de alguma forma o trabalho de vocês com a Editora Abril, ou a postura da Editora?

Piratininga - Não há nenhuma relação ou interferência dessa natureza. A Veja tem apenas feito o jornalismo decente que é esperado por (quase) todos e necessário num país como o nosso, muito carente de bons representantes políticos que honrem o cargo que lhes foi conferido nas urnas. Isso em nada nos atrapalha em relação ao dia-a-dia do trabalho feito para a Abril. Torço para que a Veja continue firme na denúncia dessa bandalheira e na defesa dos interesses legítimos da sociedade brasileira.