PT decide tirar do ar propaganda que questiona vida pessoal de Kassab

PT decide tirar do ar propaganda que questiona vida pessoal de Kassab

Atualizado em 14/10/2008 às 12:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Na última segunda-feira (13), o comando da campanha de Marta Suplicy (PT) avaliou que é melhor tirar do ar o comercial de TV que trata da vida privada do prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo , a decisão de suspender a propaganda em que Marta aparece perguntando se Kassab é casado e tem filhos, surgiu após protestos de eleitores que a consideraram preconceituosa. A propaganda dividiu o partido e trouxe mais um problema para a campanha petista, que já vive situação difícil. Em conversas reservadas, dirigentes do PT definiram a nova estratégia como "um tiro no pé".

O cientista político Alberto Carlos Almeida, do Instituto Análise, considera que questionar a vida pessoal do oponente, perguntando se é casado e se tem filhos, foi um erro que deverá marcar a carreira política de Marta e não terá nenhum benefício eleitoral. Para ele, ao invés de ganhar eleitores, ela pode perder votos em setores da classe média, como os que apoiaram Soninha, do PPS.

O primeiro sinal de que o comercial causou fissuras no PT partiu do Comitê Pró-Marta Prefeita formado por gays, lésbicas, bissexuais e travestis. Em nota distribuída na última segunda-feira (13), pela manhã, o comitê classificou a propaganda como preconceituosa e moralista e pediu "com veemência" que o comercial não seja mais exibido.

Para Julian Rodrigues, que faz parte do comitê e também da coordenação setorial LGBT do PT nacional, Marta não pode apelar para um discurso "obscurantista e conservador" na disputa. "O que ocorreu é incompreensível", afirmou. Almeida comparou a tentativa de explorar a vida pessoal de Kassab com o episódio de 1989, quando o então candidato à Presidência Fernando Collor revelou que seu rival Luiz Inácio Lula da Silva tinha uma filha fora do casamento - Lurian, fruto de sua ligação com Miriam Cordeiro. "Ali o efeito eleitoral, se existiu, foi pequeno e talvez tenha se devido mais à maneira como a TV Globo editou a notícia", disse.

O coordenador-geral da campanha de Marta, deputado Carlos Zarattini (SP), distribuiu no fim da tarde de segunda (15) uma nota na qual atribui tudo a "insinuações" feitas por "alguns veículos".

Foto: Divulgação

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