Psiquiatras britânicos pedem ação do governo contra sites que enaltecem anorexia

Psiquiatras britânicos pedem ação do governo contra sites que enaltecem anorexia

Atualizado em 21/09/2009 às 16:09, por Redação Portal IMPRENSA.

Na ocasião da estreia da London Fashion Week, período em que se reacende o debate sobre o estereótipo de magreza extrema das supermodelos, psiquiatras pediram ao governo da Grã-bretanha que tome atitude em relação ao número crescente de sites que fazem apologia à anorexia.

Relatório do Royal College of Psychiatrists, que pede ao governo que combata a disseminação por meios virtuais do culto à anorexia, revelou que muitos britânicos, encorajados por sites de redes sociais, buscam técnicas de como morrer de fome ou ocultar extrema perda de peso.

Segundo o professor Ulrike Schmidt, membro do colegiado da seção de distúrbios alimentares, "[estes] sites normalizam a doença". "Da mesma maneira, as passarelas de eventos de moda internacionais como o London Fashion Week podem atuar como uma vitrine de mulheres com baixo peso", observa.

O levantamento do Royal College tem como objetivo principal mobilizar o governo no combate à apologia da magreza extrema direcionada, sobretudo, ao público infantil, mais suscetível a este tipo de influência. O relatório pede o apoio do órgão responsável pela segurança das crianças na Internet, o conselho de Segurança da Criança na Internet (UKCCIS, na sigla em inglês).

A pesquisa revelou que uma em cada dez crianças procura por sites que incentivam distúrbios alimentares, inspiradas em celebridades como Lindsay Lohan e Paris Hilton. Alguns destes sites usam como argumento fotos de modelos extremamente magras e fóruns com mensagens de encorajamento a perda severa e repentina de peso.

Mesmo que as medidas restritivas sejam aplicadas contra os sites em questão, segundo a Beat, uma instituição de caridade para pessoas com distúrbios alimentares, a raiz do problema ainda permanecerá. "Conduzir as pessoas para fora destes sites, em direção a páginas pró-recuperação, é o que desejaríamos ver", afirmou Mary George, porta-voz da instituição.

A instituição informou que está trabalhando em parceria com a provedora de serviços de Internet AOL para filtrar as buscas. Se alguém coloca em uma busca sites pró-anorexia, nosso site aparece primeiro", explicou ela.

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