Provável reeleição de Cristina Kirchner preocupa veículos de oposição
A reta final das eleições argentinas evidencia a divisão existente na imprensa daquele país. Se especialistas políticos e jornalistas apontam uma abordagem leve por parte de veículos considerados "entusiastas" da atual presidente Cristina Kirchner, por outro lado, os dois jornais de oposição - El Clarín e La Nación - tentam aproveitar o tempo que resta para direcionar as criticas, mas reconhecem que a vitória de Cristina é inevitável.
Atualizado em 19/10/2011 às 18:10, por
Luiz Gustavo Pacete.
Se os dois principais jornais alegam há anos que o governo de Kirchner os persegue e pratica a censura, e levam isso em consideração na hora da cobertura, outros veículos não agem da mesma forma. O jornal Democracia assume a vitória de Cristina e já aponta os desafios do próximo governo. Os periódicos Tiempo , Perfil e Libre preferem fazer uma cobertura sem temas quentes ou grandes polêmicas.
Segundo apuração da Folha de S.Paulo , veículos simpatizantes ao governo seriam beneficiados com verba publicitária; já os oposicionistas presenciam queda de receita há algum tempo.
Divulgação
Ariel Palacios Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S. Paulo , em Buenos Aires, contou à IMPRENSA que os veículos de oposição temem um novo governo de Cristina, mesmo sabendo que a reeleição da presidente será inevitável. "Apesar de não ser uma surpresa absoluta a reeleição de Cristina, eles estão bem preocupados, principalmente por uma eventual radicalização em relação à mídia independente". O jornalista Emilio Fernandes Cicco considera que a eleição atual é uma das mais monótonas que o país já viveu. "Os resultados já foram dados pelas pesquisas internas. Os números deixam claro que Cristina será reeleita. Isso acabou tirando o encanto da imprensa". Cicco ressalta que a oposição está brigando entre si e segue dividida.
De acordo com os números recentemente divulgados, Cristina possui 50,7% das intenções de votos; seu adversário, Eduardo Duhalde, tem 12,16%, e Alberto Rodríguez, 8,17%.
Regulação
A briga entre o Grupo Clarín e o governo Kirchner é antiga e está repleta de acusações, afrontas e ameaças, principalmente em função da Lei de Medios, que tenta impedir o monopólio da mídia na Argentina.
Para Eleonora Gosman, correspondente do El Clarín , em São Paulo, "jamais deveriam existir leis" para regular a atuação de jornalistas. "O que vejo, hoje, é um posicionamento hostil por parte de Kirchner, em relação à imprensa. Ficou muito claro depois que o casal Kirchner comprou uma briga contra os jornais El Clarin e La Nacion , em 2008".
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