Propagador de desinformação terá que pagar indenização bilionária nos EUA

O radialista americano Alex Jones foi condenado nesta quinta-feira (10 nov/22) a pagar mais US$ 473 milhões (R$ 2,5 bi) às famílias de vítimas de um massacre que resultou na morte de 20 alunos e seis educadores em uma escola fundamental de Connecticut, em 2012.

Atualizado em 11/11/2022 às 14:11, por Redação Portal IMPRENSA.


Jones foi condenado por propagar uma teoria da conspiração segundo a qual o crime foi encenado pelo governo e pelos familiares das vítimas. Em outubro, a Justiça já havia determinado uma outra indenização, pela mesma acusação, no valor de US$ 965 milhões. Crédito:Mike Segar/Reuters - reprodução FSP Justiça americana considerou que radialista Alex Jones lucrou com teorias conspiratórias sobre massacre em escola O valor indenizatório extra destina-se a cobrir as despesas das famílias das vítimas com advogados. A Justiça de Connecticut também congelou os bens pessoais de Jones, proibindo que ele faça qualquer transferência financeira para fora do país.
Ascenção da ultradireita

Surfando a onda que levou à ascensão da ultradireita nos EUA, Jones conquistou milhões de seguidores no site Infowars e nas redes sociais, além de ser convidado regular de podcasts e canais no YouTube.
Na ação que condenou o conspiaracionista, os advogados afirmam que os parentes das vítimas sofreram assédio e ameaças de morte de seguidores de Jones.
Em agosto último, o radialista foi condenado em outro processo por difamação, movido pelos pais de uma criança assassinada no mesmo massacre. Neste caso, o júri decidiu que Jones deve pagar US$ 49,3 milhões ao casal.
As famílias das vítimas alegam que o radialista lucrou com as mentiras sobre o massacre, impulsionando a venda de seus produtos, incluindo suplementos alimentares. O radialista teria faturado mais de US$ 165 milhões somente entre 2015 e 2018.
Mas o pagamento das indenizações não é certo ainda. Segundo o New York Times, a fortuna de Jones é hoje de no máximo US$ 270 milhões. Ademais, o Infowars e a Free Speech Systems, outra empresa do radialista, teriam declarado falência para evitar o pagamento das indenizações.