Projeto usa jornalismo para que jovens do Campo Limpo possam transformar o bairro
Com o objetivo de formar jovens do Campo Limpo, zona sul de São Paulo, usando a “comunicação como uma ferramenta de transformação social”, ojovem Tony Marlon criou a .
Atualizado em 11/09/2013 às 14:09, por
Igor dos Santos*.
Crédito:Escola de Notícias Projeto ensina jornalismo para jovens do Campo Limpo
“Sou ex-aluno de vários projetos sociais e sempre fui apaixonado por comunicação. Sempre curti muito essa ideia de pensar na comunicação como uma ferramenta de transformação social", revela Marlon.
No tempo em que conviveu nas ONGs, algo que chamava sua atenção era a possibilidade de criar um projeto sustentável financeiramente, cujos recursos pudessem ser transformados em ação social. Decidido, em 2011 o jovem pediu demissão do trabalho e decidiu criar o Escola de Notícias.
O projeto se tornou “economicamente sustentável”. Dentro do que Marlon chama de “empresa social”, o Escola de Notícias comercializa três tipos de produtos: pacote com assessoria em comunicação, gestão de conteúdo, planejamento em comunicação institucional; mobilização comunitária e, por fim, formação de público.
“É a mesma lógica comercial do Estadão , da Folha , ou da Veja , mas em vez de gerar muito recurso, a estamos gerando muita transformação”, afirma o criador da ONG. “Foi legal porque os jovens perceberam que com mais produtos que a gente conseguisse comercializar, mais transformação a gente conseguiria gerar”, acrescenta.
Além de tornar a ONG economicamente sustentável, o dinheiro arrecadado ajuda a financiar o jornal Viver Campo Limpo , que é redigido pelos próprios jovens e pelo qual recebem. A publicação tem tiragem de 10 mil exemplares e circula gratuitamente dentro da região.
Além disso, a ONG financia a Escola de Comunicação Comunitária, onde a parte técnica do jornalismo é ensinada para os jovens.
Nilson Mangimi Jr., o responsável por ministrar as oficinas de jornalismo, afirma que seu papel no Escola de Comunicação Comunitária é de um “mediador”, mas por vezes também de um “provocador”.
“Na maioria do tempo eu procuro fazer com que eles discutam, conversem, debatam entre si para criar os conteúdos. Eu sempre tento fazer com que seja algo menos expositivo e mais participativo”, diz Mangimi.
Karol Coelho, uma das responsáveis por cuidar da ONG ao lado de Marlon, diz que toda a mobilização para a criação do Escola de Notícias foi realizada pelo Facebook. No entanto, nem sempre as coisas foram fáceis. Ela lembra que no começo os pais tiveram um pouco de receio de ver seus filhos se envolverem no projeto. “Agora que eles entendem a proposta de formação do Escola de Notícias. Eles [os pais] se sentem muito orgulhosos dos filhos”.
Para Marlon, o papel do Escola de notícias na comunidade “não é só ensinar a parte técnica, é também explicar para os meninos o que é contar uma história". "Queremos provocar o pensamento de ‘como a gente consegue contar duas histórias e como essas duas histórias geram transformações reais na comunidade’”, conclui.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





