Projeto ‘’Entreviste uma mulher’’ busca fomentar uso de “fontes” femininas na mídia

Já pensou no quanto seria proveitoso se todos os jornalistas tivessem uma planilha pública cheia de fontes femininas, super capacitadas e à

Atualizado em 27/03/2015 às 09:03, por Matheus Narcizo*.

Projeto ‘’Entreviste uma mulher’’ busca fomentar uso de “fontes” femininas na mídia



espera de alguém que gostaria de entrevista-las? Pois é, assim funciona o projeto ‘’Entreviste uma mulher’’, uma das ações da think tank ‘’A Olga’’ e que visa a inclusão da mulher como fonte para matérias, entrevistas e rodas de debate.

A ideia surgiu a partir de pesquisas recentes publicadas pela mídia: a universidade de Nevada, em 2013, divulgou um estudo sobre 352 matérias de capa do jornal norte-americano The New York Times, no qual 65% das fontes eram homens e 19% mulheres – destas 17% eram fontes institucionais. Já a brasileira Superinteressante, em 2010, disse que apenas 25% dos entrevistados eram mulheres.

A partir destes apontamentos, a jornalista, coordenadora e umas das idealizadoras do Olga, Juliana de Faria, resolveu criar um projeto onde mulheres capacitadas sobre determinados assuntos pudessem ser encontradas e, por consequência, se tornassem fontes.

‘’Qualquer mulher pode fazer parte da lista. A ideia é aproximá-las de comunicadores e dar voz à mulher, que é uma minoria também neste quesito. Quando você não tem a opinião de vários gêneros, suas matérias não representam o todo, mas apenas, a opinião de um recorte da sociedade’’, diz Juliana. Para a coordenadora, o plano não é que o homem deixe de ser fonte, mas que a mulher passe a ser mais consultada.
Crédito:Reprodução Projeto busca inserir fontes femininas na mídia nacional

‘’Se você for falar sobre aborto com três homens, você não vai ter uma matéria exata. Precisa de pessoas diferentes para falar sobre o tema. Você pode ter um homem, especialista, mas precisa de uma mulher que conheça ou já tenha tido a experiência. Quanto mais fontes diferentes, mais profundo será o resultado’’.

A jornalista crê que a mulher tem conseguido, mesmo que devagar, batalhar por maiores oportunidades sociais e profissionais. Tanto, que ressalta o resultado do projeto com um caso de uma mulher cadastrada em seu projeto. ‘’Recentemente, uma amiga deu uma entrevista para cinco grandes veículos, entre eles, a BBC. Ela falava sobre mídias digitais e cultura de games, assunto que não costuma ser tratado por mulheres. É bacana, já que não era um assunto ligado ao feminino. É essa participação que desejamos’’, finaliza.

#Mulheresqueinspiram

Durante todo o mês de março, IMPRENSA alimentará o site especial "Mulheres que Inspiram", com matérias especiais sobre as mulheres nas redações. Para ler este conteúdo, nos contar e homenagear a mulher que inspira você, basta acessar o site, .

*Com supervisão de Thaís Naldoni