Projeto Educom.rádio não sai do papel em algumas escolas municipais - Por Fernanda A. Correia/UNIP

Projeto Educom.rádio não sai do papel em algumas escolas municipais - Por Fernanda A. Correia/UNIP

Atualizado em 03/06/2005 às 16:06, por Fernanda Aparecida Correia de Lima - Universidade Paulista - Campus Norte.

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As escolas municipais de São Paulo dispõem, desde o ano passado, de equipamento destinado ao Projeto Educom.rádio, conforme a lei municipal 13.941, datada de 28 de dezembro de 2004. Segundo a lei que partiu de um projeto do ex-vereador Carlos Neder -PT/SP - , cabe ao poder municipal a criação de programas destinados a "desenvolver e articular práticas de educomunicação, incluindo a radiodifusão restrita e comunitária, bem como toda forma de veiculação midiática, de acordo com a legislação vigente, no âmbito da administração municipal", além de "incentivar atividades de rádio e televisão comunitária em equipamentos públicos".

Porém, a realidade é diferente em algumas escolas. A E.M.E.F.M. Prof. Derville Allegretti, situada na Av. Voluntários da Pátria, 777, em Santana, zona norte da capital, possui o kit de rádio composto por mesa e dez caixas de som, mais dois microfones, mas não os utiliza. Segundo a assistente da direção da escola, Regina Lúcia Cury, o projeto veio de "sopetão" ao final do ano passado. Foi feito um curso de capacitação, do qual participaram cerca de quatro professores e seis alunos do 3º ano do ensino médio, que já se formaram. Dos professores capacitados para manusear o equipamento restaram dois, conforme complementa a assistente, razão pela qual diz não dispor de estrutura pedagógica para a instalação do projeto.

Os equipamentos não estão em funcionamento pois, para que isso ocorra, é necessário um investimento das verbas arrecadadas pela Associação de Pais e Mestres do Derville Allegretti. A escola conta com 3 mil alunos, dos quais apenas 500 colaboram com a arrecadação. O único investimento que conseguiram fazer foi a instalação de "gaiolas" para proteger as caixas de som que ficam penduradas nas paredes e, para tal, foram gastos 1,6 mil reais.

Quando perguntada sobre outra forma de disponibilizar de verbas para a instalação do projeto, como por exemplo, o patrocínio de empresas da região, Regina Lúcia disse que todo o empenho parte dos alunos, que querem que o Educom.rádio entre em funcionamento. Diz também que a escola opta por atender as prioridades, para as quais destina a sua verba. Outra alternativa sugerida ficaria por conta das festas que a escola poderia promover, como as Juninas. Mas, segundo a assistente da direção, isso seria arriscado, já que a região não conta com a segurança adequada que, no caso, não é oferecida nem pela Guarda Civil Metropolitana - presente à porta da escola quando do horário desta entrevista, no final da manhã -, nem pela Polícia Militar. Outro empecilho para a promoção destas festas está no fato de que muitos alunos não moram nas adjacências - alguns chegam a morar próximos ao Pico do Jaraguá - e seus pais também não participam de possíveis discussões junto a escola. Além disso, existem poucas habitações nas redondezas, de onde encontrariam público para tais eventos.

Entre alguns alunos de 1º e 2º ano do ensino médio questionados a respeito do Projeto Educom.rádio, a maioria não sabia da sua existência, nem de que a escola possuía os equipamentos para o seu funcionamento. Uma aluna do 1º ano mencionou a tentativa do grêmio da escola em fazer funcionar uma rádio que, de vez em quando, colocaria músicas durante os intervalos. Os poucos alunos do 3º ano que quiseram falar, disseram que sabem da existência dos equipamentos, razão pela qual o grêmio da escola luta para vê-lo e ouvi-lo funcionar. Regina Lúcia diz que o equipamento é, de fato, usado a cada trinta dias durante os intervalos, sendo tocadas apenas músicas, sem nenhum tipo de programação.

A assistente da direção diz estar aberta a sugestões a fim de conseguir um patrocínio para a instalação do projeto, conforme fizeram os alunos junto a algumas empresas, que colaboram com a compra de tintas para a manutenção da escola.