Projeto de regionalização fortalece atuação dos portais de notícia

Deixar de cobrir apenas o cenário macro para investir no micro: esse é o propósito dos portais de notícia ao optar pela regionalização. A principal vantagem é a penetração da marca em diversos estados e cidades do Brasil ao oferecer uma cobertura que reflita o dia a dia de cada população.

Atualizado em 26/09/2013 às 15:09, por Gabriela Ferigato.

Atualmente o G1 conta com 51 editorias regionais. Desde junho deste ano, com o lançamento em Tocantins, o portal está presente nos 26 estados brasileiros, mais Distrito Federal. “Os leitores de todos os estados ganharam páginas exclusivas e uma atenção especial, que refletem o seu cotidiano. Isto é fundamental para um portal nacional. Além disso, incentivamos a participação do internauta em ferramentas de conteúdo colaborativo, como o “VC no G1”, que tem um importante papel na aproximação com o público”, afirma a empresa.

Crédito: reprodução Cada editoria tem uma redação própria sob responsabilidade da afiliada da Globo do determinado território. Ela tem autonomia para publicar vídeos e reportagens, seguindo os Princípios Editoriais das Organizações Globo e os padrões do projeto do G1. Na página do Amazonas, por exemplo, há vídeos do “Amazônia TV”, “Bom Dia Amazônia”, entre outros. De acordo com o G1, um dos principais desafios é satisfazer ao mesmo tempo o público local, com uma cobertura mais completa e abrangente dos assuntos mais próximos de seu dia a dia, e o nacional, que passa a ter notícias contadas a partir dos fatos dessas áreas.
Já na Folha de S.Paulo, os núcleos regionais estão concentrados na Agência Folha, com seus correspondentes pelo Brasil, na Folha Ribeirão e nas sucursais do Rio de Janeiro e de Brasília. Segundo Vinicius Mota, secretário de Redação responsável pela área de produção, a vocação da Folha é ser um jornal de penetração nacional e a regionalização do conteúdo, facilitada pelas novas tecnologias e plataformas digitais, atende a esse propósito. “A nossa equipe é sempre própria, como regra. Nos lugares em que temos interesse em cobrir, mas não temos jornalistas contratados, estabelecemos colaborações com profissionais selecionados”, afirma Mota.

Crédito:reprodução Segundo Rodrigo de Almeida, diretor de Jornalismo do iG, a estratégia de regionalização foi bem discutida e definida com os acionistas, CEO e Publisher do veículo. Durante a idealização do projeto, os principais pontos apresentados foram o modo de navegação, interatividade, velocidade permitida pela tecnologia Realtime, valorização do conteúdo colaborativo e, principalmente, produção de conteúdo relevante para o cotidiano do internauta.
“Sabemos que a realidade local, ou hiperlocal, quase sempre prevalecerá no nível de importância para as pessoas em relação ao dito ‘nacional’ ou global. A diferença do nosso projeto é que, em vez de estabelecermos simples hospedagem de veículos no portal ou criarmos uma estratégia de afiliação, fizemos alianças estratégicas. Cada veículo parceiro se torna uma extensão do iG”, afirma Almeida. Entre as já firmadas estão: Tribuna da Bahia (BA), o portal LeiaJá (PE), o jornal O Tempo (MG) e O Dia (RJ). Atualmente são sete parcerias, com outras sete em negociação e previsão de mais duas até o fim do ano.

Crédito:reprodução O portal iG conta com parcerias estratégias em diversas regiões
O internauta que abre a homepage do iG é identificado através do sistema de geolocalização, a partir da cidade onde é feito o acesso. De acordo com Almeida, o visitante das regiões que possuem parceria com o portal visualiza um componente de links com as notícias mais importantes naquele momento. “Simultaneamente estamos atraindo publicidade segmentada, com a receita sendo compartilhada entre o portal e o parceiro. Além de cobertura sincronizada com mais de um parceiro em grandes eventos, como eleições, festas juninas, carnaval ou, mais adiante, Copa do Mundo”, completa.
Para o diretor de jornalismo do iG, o grande desafio do projeto é combinar a geração de conteúdo local com a ampliação da receita com publicidade e projetos especiais. Por isso, o veículo tem promovido a integração das equipes editoriais e comerciais. Paralelamente ao que vai ao ar no portal, o veículo está desenvolvendo um projeto chamado “Brasis do Brasil”: uma série de eventos realizados em parceria com os veículos locais, voltado para discutir os problemas, os desafios e as soluções de política pública e ação privada no contexto dessas realidades. “Esses eventos, com transmissão ao vivo pelo iG para todo o Brasil, apresentam e analisam a incrível diversidade política, econômica e cultural do País. Uma diversidade que é nossa maior riqueza, mas também o que torna mais complexo o nosso desenvolvimento”, finaliza.