Projeto de preservação da memória de artistas gráficos é adiado
Projeto de preservação da memória de artistas gráficos é adiado
Atualizado em 21/01/2011 às 19:01, por
Ana Ignacio/Da Redação.
Por Em março de 2010 o artista gráfico Gualberto Costa, o Gual, iniciou em parceria com a Biblioteca de São Paulo o projeto "Memória das artes gráficas" que tem o objetivo de resgatar e preservar a história dos artistas gráficos brasileiros. Este mês, no entanto, Gual foi informado de que o projeto será interrompido. A notícia teria relação com a troca de diração da biblioteca, ligada do Governo do Estado e da Secretaria de Cultura. "O projeto vai passar por uma avaliação. Não que eu já tenha uma notícia ruim, mas tenho uma impressão de que dentro da Secretaria de Cultura esse tipo de arte nunca foi valorizada", diz Gual à IMPRENSA.
O "Memória" acontece todos os sábados no auditório da biblioteca. Semanalmente, importantes artistas gráficos gravam um depoimento em vídeo sobre sua vida, obra e técnica. As etapas seguintes aos depoimentos consistiriam na disponibilizarão dos vídeos no YouTube, transcrição do conteúdo para a elaboração de um livro, além da construção de um monumento em homenagem aos profissionais do traço.
Até agora, o "Memória" conta com depoimentos de 36 artistas como Zélio, Zalla, Jal, Sonia Luyten, Luis Gê, Fernando Coelho, Laerte, Jô Oliveira, Elifas Andreatto, Mauricio de Sousa, Spacca, Nani, Angeli, Franco de Rosa, Benício, Marcelo Campos, Xalberto, Mutarelli, Toninho Mendes, Loredano, Ziraldo, Guto Lacaz, Primaggio, Orlando Pedroso e Fausto Bergocce.
A ideia é um projeto antigo de Gual, um dos criadores HQ Mix, o mais tradicional prêmio para artistas do gênero no país. Há 28 anos, ele luta pela criação de um museu das artes gráficas e chegou a inaugurá-lo em dezembro de 2002. "Em fevereiro de 2002 fecharam o museu", lembra. Essa coleta de depoimentos seria uma das ações do museu. Mesmo assim, Gual levou o projeto adiante.
"A gente já trouxe muita gente importante. É uma memória que não tem muito registro. Tenho um pouco de receio de morrer tudo. Esses depoimentos já estão gravados, mas tem muita vida de artista que a gente ainda não levantou. Há quase um ano perdemos o Glauco, temos artistas com mais de 80 anos e temos uma certa pressa... Corre o risco de algumas gerações pra frente não conhecerem muitos deles", explica Gual. "O Henfil, por exemplo, com a importância que ele teve, você pega jovens de 20 e poucos anos que não sabem quem ele era."
O último depoimento do "Memória", pelo menos por enquanto, será de Baptistão, caricaturista de O Estado de S. Paulo . Para Gual, uma das dificuldades de realização do projeto é a pouca valorização das artes gráficas no Brasil. "É uma arte efêmera. Uma charge, por exemplo, às vezes em um mês você nem lembra do que ela falava, apesar de contar a história da maneira mais honesta, do ponto de vista da população. Se você enfileirar charges você vai ter a história do Brasil sobre um outro ponto de vista. Você tem cada vez menos chargistas, caricaturistas. Cartum não tem publicado em lugar nenhum, quadrinhos está em um momento legal, mas tem um olhar meio enviesado, acham que não é arte. É uma mentalidade antiga, que não olha pro futuro, pras próximas gerações, pras novas mídias", diz.
Em dois meses a resposta sobre a continuidade do projeto será anunciada. Por enquanto, é possível acompanhar as últimas gravações que acontecem na biblioteca - e são abertas ao público. No próximo sábado, dia 22, será a vez de Sergio Morettini e, depois, Baptistão. Até o final de janeiro, o projeto ainda pode ser assistido ao vivo. Espera-se que, em breve, ela esteja disponível a todos, devidamente arquivada e preservada. Como toda história deve estar.
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O "Memória" acontece todos os sábados no auditório da biblioteca. Semanalmente, importantes artistas gráficos gravam um depoimento em vídeo sobre sua vida, obra e técnica. As etapas seguintes aos depoimentos consistiriam na disponibilizarão dos vídeos no YouTube, transcrição do conteúdo para a elaboração de um livro, além da construção de um monumento em homenagem aos profissionais do traço.
Até agora, o "Memória" conta com depoimentos de 36 artistas como Zélio, Zalla, Jal, Sonia Luyten, Luis Gê, Fernando Coelho, Laerte, Jô Oliveira, Elifas Andreatto, Mauricio de Sousa, Spacca, Nani, Angeli, Franco de Rosa, Benício, Marcelo Campos, Xalberto, Mutarelli, Toninho Mendes, Loredano, Ziraldo, Guto Lacaz, Primaggio, Orlando Pedroso e Fausto Bergocce.
A ideia é um projeto antigo de Gual, um dos criadores HQ Mix, o mais tradicional prêmio para artistas do gênero no país. Há 28 anos, ele luta pela criação de um museu das artes gráficas e chegou a inaugurá-lo em dezembro de 2002. "Em fevereiro de 2002 fecharam o museu", lembra. Essa coleta de depoimentos seria uma das ações do museu. Mesmo assim, Gual levou o projeto adiante.
"A gente já trouxe muita gente importante. É uma memória que não tem muito registro. Tenho um pouco de receio de morrer tudo. Esses depoimentos já estão gravados, mas tem muita vida de artista que a gente ainda não levantou. Há quase um ano perdemos o Glauco, temos artistas com mais de 80 anos e temos uma certa pressa... Corre o risco de algumas gerações pra frente não conhecerem muitos deles", explica Gual. "O Henfil, por exemplo, com a importância que ele teve, você pega jovens de 20 e poucos anos que não sabem quem ele era."
O último depoimento do "Memória", pelo menos por enquanto, será de Baptistão, caricaturista de O Estado de S. Paulo . Para Gual, uma das dificuldades de realização do projeto é a pouca valorização das artes gráficas no Brasil. "É uma arte efêmera. Uma charge, por exemplo, às vezes em um mês você nem lembra do que ela falava, apesar de contar a história da maneira mais honesta, do ponto de vista da população. Se você enfileirar charges você vai ter a história do Brasil sobre um outro ponto de vista. Você tem cada vez menos chargistas, caricaturistas. Cartum não tem publicado em lugar nenhum, quadrinhos está em um momento legal, mas tem um olhar meio enviesado, acham que não é arte. É uma mentalidade antiga, que não olha pro futuro, pras próximas gerações, pras novas mídias", diz.
Em dois meses a resposta sobre a continuidade do projeto será anunciada. Por enquanto, é possível acompanhar as últimas gravações que acontecem na biblioteca - e são abertas ao público. No próximo sábado, dia 22, será a vez de Sergio Morettini e, depois, Baptistão. Até o final de janeiro, o projeto ainda pode ser assistido ao vivo. Espera-se que, em breve, ela esteja disponível a todos, devidamente arquivada e preservada. Como toda história deve estar.
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