Projeto de lei do Senado criminaliza atos para impedir trabalho de profissionais da imprensa

No final de agosto, foi revelada organização chamada “Guardiões do Crivella”, que se reuniam na entrada de órgãos públicos para atrapalhar j

Atualizado em 11/09/2020 às 12:09, por Redação Portal Imprensa.

A hostilização de profissionais da imprensa para impedir o trabalho jornalístico por se tornar crime previsto no Código Penal Brasileiro.


De iniciativa do senador Fabiano Contarato (Rede-ES), um projeto de lei apresentado ao Senado propõe a inclusão de um artigo no Código onde haja previsão de uma punição para o agente que hostilizar o profissional de imprensa. Conforme o texto, a pena seria de detenção de um a seis meses, e multa.

Crédito:Agência Senado


Se houver violência, a pena aumenta para detenção de três meses a um ano, e multa, somada à prevista no artigo que prevê violência ou ameaça.


“O Estado democrático de Direito não subsiste em um cenário no qual a hostilidade se transforma em arma para tentar silenciar opiniões, dados ou fatos que desagradem a um determinado grupo. Não há democracia e disseminação da informação sem uma imprensa livre e atuante, sem que veículos de comunicação consigam cumprir sua missão”, declarou o senador em entrevista à Folha.


“Guardiões do Crivella”


No final de agosto, veio à tona a existência de um grupo de apoiadores do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), conhecido como “Guardiões do Crivella”.


Segundo reportagem veiculada em telejornais da Globo, os grupos eram formados por funcionários comissionados da Prefeitura do Rio, que eram escalados para a porta de hospitais municipais, com o objetivo de atrapalhar o trabalho da imprensa e impedir denúncias sobre problemas na saúde na gestão do prefeito.


A Polícia Civil cumpriu nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados a essas pessoas. Em nota, a prefeitura negou a criação dos grupos e alegou que atua para "melhor informar a população".


O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) instaurou uma investigação sobre o caso.