Projeto de jornalista cria rede de cartas de amor para quem busca refúgio contra a solidão

Inspirada em projeto americano, desenvolveu, com seus próprios recursos, uma rede para espalhar cartas a quem deseja um refúgio da solidão.

Atualizado em 13/11/2014 às 16:11, por Christh Lopes*.

Uma palavra amiga, sincera e carinhosa não chegava à caixa de correios da profissional de comunicação, Patrícia Mello. Após a morte da mãe, nenhuma mensagem tinha como destino o seu conforto. Para amenizar a dor da perda, porém, escreveu cartas para si mesma e, muitas vezes, também às pessoas que conhecia. A despretensiosa ação tomou proporções que nem imaginava e se tornou uma rede de cartas de amor para quem deseja encontrar um refúgio para a solidão.
Crédito:Reprodução Projeto envio cartas de amor para pessoas em situações difíceis
No projeto, a publicitária coloca em prática a vontade de levar um pouco de afeto e carinho para quem sofria por passar por situações tristes. Folheando uma revista brasileira, se deparou com o More Love Letters , criado por uma americana. Daí, não teve mais jeito. Logo, o ' ' ganha toda sua atenção e dedicação. À IMPRENSA, ela afirma que a iniciativa foi inspirada nas reais necessidades emocionais das pessoas.
Depois de uma rejeição, questionamento ou até mesmo punição, o que o ser humano quer são gestos que demonstrem um mundo do qual sabe que não existe, mas, ao menos, prefere acreditar que está muito próximo. “Meu desejo é resgatar o amor entre as pessoas e principalmente estimular a solidariedade entre elas. O exercício de se colocar no lugar do outro e conseguir transmitir o que elas gostariam de ouvir por meio de palavras e cartas de amor”, diz Patrícia.
Não por acaso, a iniciativa vem dando certo. Hoje, está na segunda fase. A ideia é simples: quaisquer pessoas, hospitais e entidades assistenciais que desejam receber uma carta só precisam entrar no site e fazer um pedido. No formulário de solicitação, é necessário contar os motivos pelos quais quer receber uma mensagem, pois é a maneira de o voluntário se inspirar. À moda antiga, a resposta é enviada pelos Correios.
“Nada é mais gostoso e confortante do que receber uma cartinha da maneira mais antiga ”, afirma. Sem nenhum recurso financeiro, tocou o projeto com amigas e bens pessoais. Hoje procura financiamento privado para viabilizar o conceito. Geralmente, faz ações pontuais para angariar fundos, mas não conta com nenhum parceiro para manter a iniciativa viva, e aguarda o contato de empresas. “Seria um prazer e estamos abertos a conversar. Temos muito a oferecer!”.
O projeto já escreveu 800 cartas e conta com cerca de 500 voluntários, sendo eles no Brasil e também no exterior. Os próximos passos, segundo ela, é apadrinhar instituições assistenciais, alas de hospitais e orfanatos. “O maior desejo é transformar o projeto num negócio social onde pessoas de baixa renda pudessem escrever cartas, se desenvolvendo por meio da leitura e escrita, e com isso, gerarmos renda. É uma maneira de contribuir com a educação no Brasil”, conclui. * Com supervisão de Vanessa Gonçalves