Projeto da agência Pública incentiva jornalismo investigativo através de financiamento coletivo

Na busca pelo incentivo ao jornalismo investigativo, a agência Pública lançou o projeto Reportagem Pública, onde repórteres poderão enviar sugestão de matérias e, se a pauta estiver entre as dez escolhidas pelos internautas, o jornalista poderá fazer a matéria com o dinheiro que a agência vai recolher do público através do modelo de financiamento coletivo, o crowdfunding.

Atualizado em 13/08/2013 às 13:08, por Igor dos Santos*.

As pessoas que contribuírem poderão votar na matéria de sua preferência.
Crédito:Alf Ribeiro Diretora da Pública diz que projeto incentiva a prática do jornalismo sem amarras
“O crowdfunding é uma tendência no mundo inteiro, com produções culturais e jornalísticas. O crowdfunding significa que as pessoas estão dispostas a pagar por algo que elas acham necessário existir, mas sem pagar um valor comercial, como quando você compra uma revista. Mas as pessoas vão pagar para que essa informação exista e corra livremente”, afirma Natalia Viana, diretora da Pública.

“As pessoas estão apoiando para que aquilo seja distribuído para todo mundo, e não para si mesmo. Nesse sentido, é uma lógica oposta ao que seria o paywall [modelo de revista ou site online onde o indivíduo paga para ter acesso à informação]”, acrescenta.
A diretora da Pública afirma que o objetivo da empresa é arrecadar R$ 47.500, sendo que, para cada real arrecadado, a Fundação Omidyar vai doar outro real. Ou seja, ao fim, a empresa espera obter R$ 95.000. “A gente quer proporcionar a mais pessoas a oportunidade fazer o seu trabalho”, diz Natalia. “O crowdfunding, no Brasil, e em outros lugares do mundo, já se mostrou um modelo possível”, acrescenta.
Com o aumento de valor do auxílio, aumentou também o número de reportagens escolhidas. Serão dez, sendo que nas edições anteriores foram apenas quatro. “A maioria das propostas de pautas que a gente recebe são ligadas a direitos humanos e vêm de todos os lugares do Brasil”, diz a diretora.


“A gente quer chamar as pessoas a mostrarem que se importam com o jornalismo investigativo justamente depois de todos esses passaralhos. É um momento em que a classe jornalística está se sentindo mal, sem perspectiva e estamos chamando o público para mostrar que o jornalismo é importante e que o jornalismo investigativo tem respaldo popular”, conclui Natalia.


Para doar um valor para o projeto ou enviar uma sugestão de pauta acesse o .

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves