Projeto Aprendiz, de Gilberto Dimenstein, é alvo de intolerância

Projeto Aprendiz, de Gilberto Dimenstein, é alvo de intolerância

Atualizado em 29/08/2007 às 12:08, por Nathália Duarte / Redação Portal IMPRENSA.

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Na semana em que completa 10 anos de fundação, a Associação Cidade Escola Aprendiz, idealizada e fundada pelo jornalista Gilberto Dimenstein, foi vítima de um ato de vandalismo e intolerância, de conotação anti-semita - Dimenstein é judeu e vários judeus trabalham na entidade.

Na noite da última segunda-feira (27), computadores, impressora, comida e até rolos de papel higiênico, utilizados por crianças e jovens de baixa renda atendidos pela instituição, foram roubados. No lugar, suásticas (símbolo do regime nazista) e a frase "morte a Judá" foram pichadas.

Segundo nota publicada pelo site da instituição, os computadores e os monitores roubados eram utilizados pelas crianças, de quatro a 14 anos, que freqüentam a associação e, no momento, aprendiam sobre o funcionamento da Internet. Na Escola da Rua, espaço que recebe jovens diariamente, sumiram bens de consumo como comida, papel higiênico, uma cafeteira e um rádio.

O ato é visto com pesar por todos os colaboradores da instituição e os símbolos anti-semitas pichados são, segundo as vítimas, carregados de um valor simbólico muito forte. Na manhã da última terça-feira (28), as crianças da Escola na Praça aprendiam uma lição: as educadoras explicavam o que significava a suástica e o ódio que ela contém, além de falarem sobre os prejuízos causados pela intolerância.

Segundo aponta a gerente administrativa e financeira da associação, Lili Sandberg, "não se tem idéia ainda do prejuízo, pois duas unidades da ONG foram roubadas. As medidas administrativas provavelmente serão fechar mais a instituição com colocação de grades e troca de sistema de alarmes".

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, o jornalista Gilberto Dimenstein afirma que o presidente da ONG, o advogado Miguel Pereira Neto, já está tomando as providências necessárias para o encaminhamento do caso e para cobrar da polícia que se descubra a identidade dos envolvidos. "Não foi apenas um roubo, foi um atentado e alguém deve ser responsabilizado inclusive pelas pichações", destaca Dimenstein.

O jornalista conta ainda que, durante as aulas desta quarta-feira (29), as crianças defumaram o ambiente por iniciativa própria. "Trabalhamos com as crianças carentes da região e o ato foi uma invasão ao espaço delas. Não bastou que roubassem computadores, eles sujaram tudo", completa.